CFP: Conferência Internacional & workshop “Poesias performativas: teorias e práticas. Perspectivas comparadas”

CFP: Conferência Internacional & workshop “Poesias performativas: teorias e práticas. Perspectivas comparadas”

20 agosto 2018 09:00 - 23:00

Prazo para submissão de propostas: 20 de agosto

Comunicação de resultados: 1 de setembro

Conferência: 29-30 de outubro

Workshop de Cristian Forte: 31 de outubro (11h-17h)


​Poesias performativas: teorias e práticas. Perspetivas comparadas


A performance esteve desde sempre ligada à poesia, desde as tradições de poesia oral e de declamação, até às experiências vanguardistas de inovação poética ou as práticas de conferência-performance. Contudo, a criação poética, a partir da Modernidade, continuou a estar associada sobretudo à leitura individualizada e à fixação do texto na página, relegando para segundo plano outras formas de produção poético-performativa, corporalizadas, que recorrem ao uso de outros media de produção e receção, nomeadamente formas experimentais, conceptuais, cénicas, improvisadas, de realização site-specific para se atingir o seu sentido pleno.

No entanto, atualmente, assistimos a uma renovação das práticas poéticas ao vivo que ocupam o espaço público, com o sucesso internacional do slam, dos open mics, das sessões de poesia dita, da canção, ou dos festivais de poesia, acompanhadas por uma revalorização da oralidade e pelo reconhecimento do papel central das “poesias fora do livro” na literatura contemporânea em geral.

Se essas manifestações correspondem muitas vezes a circuitos alternativos, e à vontade de defender formas coletivas, populares, participativas, constatamos ao mesmo tempo a multiplicação dos eventos e espaços institucionais dedicados à poesia em performance. Simultaneamente, as novas tecnologias, os mass media e o numérico tiveram um impacto importante sobre a criação e difusão da poesia, por exemplo, com o surgimento da poesia digital. A diluição de fronteiras entre disciplinas artísticas tem encorajado práticas multimédia, que combinam a palavra com o som, a imagem, a dança, a instalação, etc., existindo numa zona intermédia, às vezes difíceis de definir.

Paralelamente, constatamos nos últimos anos o surgimento de vários trabalhos inovadores sobre as relações entre poesia e performance, que respondem não só a este vitalismo artístico, mas também a novos conceitos teóricos advindos da área de estudos da intermedialidade. Em Portugal, destacamos as pesquisas recentes sobre poesia experimental portuguesa das décadas 1970-80, derivadas do projecto PO-EX (https://po-ex.net), nomeadamente, as publicações de Rui Torres e Manuel Portela sobre poesia concreta, visual e sonora, ou a tese de Sandra das Candeias Guerreiro Dias sobre a “performance experimental poética” em Portugal (2016).

No caso da França, Olivier Penot-Lacassagne e Gaëlle Theval acabam de publicar um livro colectivo sobre a “poesia-performance” francesa (2018); Stéphane Hirschi, Alain Vaillant e outro(a)s um volume de ensaios sobre a vocação social e musical da poesia (2017); na senda da tese pioneira de Céline Pardo sobre a “poesia além do livro” (2014). Estes estudos reforçam um campo da literatura até há pouco negligenciado pela crítica, salvo trabalhos seminais como os de Paul Zumthor e Ruth Finnegan sobre “poesia oral”, Charles Bernstein com o performed word, ou Jean-Pierre Bobillot com a “mediopoética”.

Estes estudos continuam, contudo, centrados em períodos históricos e áreas culturais precisos, existindo ainda poucas abordagens comparatistas dessas poesias, com a exceção de alguns trabalhos transnacionais como os de Cornelia Gräbner e Arturo Casas sobre performance poetry em vários países (2012), de Claude Calame, Florence Dupont, Maria Manca e Bernard Lortat-Jacob sobre poesias orais e cantadas da Antiguidade à atualidade, numa perspectiva etnopoética (2010), ou o largo gesto antropológico de Jerome Rothenberg em Technicians of the Sacred (1968), que confrontava os happenings da vanguarda europeia com poesias e cantos rituais e tradicionais no mundo.

Com esta conferência internacional, propõe-se assim estimular uma perspetiva comparatista, interdisciplinar, transnacional e intermedia das poesias performativas, focando filiações, movimentos de circulação, intercâmbios entre poetas, formas artísticas e países, fenómenos de contaminação, de transposição mediática e de remediação, centrados nos séculos XX e XXI, com o objectivo de contribuir para uma visão alargada e renovada das várias formas de definir e praticar a poesia no mundo contemporâneo.

Entendemos por “poesia performativa”, práticas poéticas nas quais a realização do poema implica uma ação em direto e uma forma de participação física, seja do(a) poeta (pelo seu corpo ou a sua voz, imediata ou mediatizada), de um(a) intérprete (recitador(a), ator(triz), performer), ou do público, transformado em “co-enunciador”, que intervém diretamente na elaboração do poema e do evento (respondendo, cantando, desafiando ou manipulando). Nesta definição aberta podem ser incluídas várias práticas, géneros, formas e denominações: poesia oral/aural, cantada, sonora, acústica, de intervenção, experimental, digital, spoken word, slam, rap, poesia radiofónica e televisual, e qualquer forma de arte performativa considerada (e reivindicada) como poesia, tendo ou não uma componente verbal.

Organização: Manuela Carvalho, Pénélope Patrix e Marta Traquino (CEC, FLUL)

Esta atividade insere-se no âmbito do projeto Off-Off Lisbon do grupo THELEME do Centro de Estudos Comparatistas (CEC-FLUL).

Para mais informações consulte http://cec.letras.ulisboa.pt/eventos/call-for-papers/conferencia-internacional-workshop-poesias-performativas-teorias-e-praticas-perspectivas-comparadas/ ou contacte poesiasperformativas@gmail.com .





Formulário para divulgação de iniciativas da FLUL

Aqui encontra o formulário para envio de informação sobre iniciativas de âmbito científico, académico e cultural, para divulgação na Agenda da FLUL.
Solicita-se o envio deste formulário, devidamente preenchido, com a antecedência mínima de uma semana relativamente ao início da atividade.
Email: comunicacao@letras.ulisboa.pt
Nucleo de Relações Externas, FLUL