José Augusto Ramos, Professor Catedrático Emérito desta Faculdade de Letras, o primeiro a receber essa distinção há mais de uma década, abandonou ontem este mundo. Era, não tenho outra forma de o dizer, uma pessoa singular e um intelectual extraordinário. O seu percurso científico seria suficiente para o provar. Figura maior do biblismo, exegeta vindo de um mundo que já não existe, grande hebraísta, poliglota impenitente, teve um trajecto científico irrepetível de capuchinho quinhentista, que o levou da terra que nunca esqueceu à complexa hermenêutica aprendida em Roma e em Jerusalém, de onde trouxe um cosmopolitismo feito de uma aparente simplicidade com que provavelmente já nascera.