“Escolhi a FLUL para saber o que me aguarda no futuro”: 5.ª edição do Verão na ULisboa na Faculdade de Letras

Nem sempre um céu com nuvens é sinónimo de chuva e na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa o Verão na ULisboa 2018 trouxe, com efeito, alguns dos primeiros raios de Sol da estação durante uma semana de atividades dedicada aos mais novos.

A FLUL associou-se pela quinta vez consecutiva a esta iniciativa da Universidade de Lisboa tendo recebido cerca de três dezenas de alunos, entre os 14 e os 16 anos, oriundos não apenas da região de Lisboa, mas também de vários pontos do país, num programa estruturado em torno da descoberta de vários universos das Letras. Com o objetivo de despertar os alunos do ensino básico e secundário para temas e áreas de estudo das Humanidades, muitas vezes ainda desconhecidos, o Verão da FLUL pretende também proporcionar o primeiro contacto como ensino superior e a desmistificação de algumas das suas realidades.

Tal como tem acontecido nas várias edições já realizadas, o Verão na ULisboa da FLUL, que decorreu entre 2 e 6 de julho, contou com o envolvimento de várias unidades de investigação e de estudo, docentes e investigadores da Faculdade, nas catorze atividades programadas para estes alunos. Desde as línguas e da linguística à literatura portuguesa e às culturas clássicas, passando pela história e pela história da arte e arqueologia ou pelos estudos sobre a Europa e a Ásia, os saberes humanísticos vieram trazer mais mundos possíveis aos alunos deste Verão que foram acompanhados por quatro monitores, alunos de Letras.

 



Várias aprendizagens com o selo FLUL

Ao longo dos cinco dias de atividades, muitas foram as sessões nas quais os alunos do Verão na ULisboa estiveram envolvidos. Momentos de partilha de conhecimento e de aprendizagem mútuos, também para os docentes e investigadores da FLUL que se juntaram à iniciativa. Logo na segunda-feira, a aula sobre Ficção Científica e o Fantástico, em parceria com o Centro de Estudos Anglísticos da FLUL, despertou a curiosidade de muitos alunos, que insistiram em fazer questões ao longo de mais de duas horas. A Professora Doutora Angélica Varandas, uma das dinamizadoras da sessão, destacou que “o objetivo era refletir criticamente sobre os temas e como eles nos ajudam a perceber a cultura contemporânea”. Neste sentido, a docente da FLUL revelou a surpresa que teve ao concluir que “havia um grupo de alunas que já tinha lido um conjunto de obras que eu não esperava que tivessem lido com esta idade. E uma aluna contou que estava a escrever um romance com características de ficção científica”. Angélia Varandas frisou a mais-valia da iniciativa, que a própria já concluiu durante as suas aulas na FLUL: “tenho tido alunos ao longo destes anos que me dizem que vieram para a Faculdade porque vieram ao Verão na ULisboa ou ao Dia Aberto, dizendo que estas iniciativas foram determinantes para escolherem a nossa instituição”. Um interesse também referido pelo investigador da FLUL Diogo Almeida, outro dos dinamizadores da sessão: “houve muita abertura dos alunos e nota-se que pensam nas coisas”.

O pensamento foi, também, o que a Professora Doutora Diana Almeida procurou proporcionar na oficina de escrita criativa 'Palavras para que vos quero'. “Comecei por conquistá-los com alguns exercícios de respiração para entrarem no corpo e terem consciência da sua presença física e, depois, utilizei uma técnica de free writing, que tem como finalidade entrar no fluxo criativo sem bloqueios mentais e sem censura”, contou. Durante esta sessão de uma hora, os participantes do Verão na ULisboa escreveram durante cinco minutos sem parar sobre o seu nome, observaram como o meio pode afectar a mensagem e escreveram uma carta de amor. Sobre este último exercício, a Professora Doutora Diana Almeida revelou que “uma maioria dos participantes já tinha trocado correspondência através de cartas, o quer dizer que se vão preservando métodos que eu pensaria não estarem tão presentes nas suas vidas”. A busca pela liberdade criativa e a desconstrução de conceitos foi um dos objetivos da oficina, defendendo a docente que “uma faculdade de letras deve dar esse espaço”.

Outra das oficinas que marcaram a edição deste ano do Verão na ULisboa foi a oficina de escrita hieroglífica 'O Egipto na Ponta dos Dedos', dinamizada pelo Professor Doutor Luís Araújo, do Centro de História da FLUL. O docente diz que “a atividade tornou evidente a paixão que os alunos sentem pelo Antigo Egipto! É verdade que numa hora é arriscado falar de três mil anos de civilização, mas consegui abordar a forma como nasceu a escrita hieroglífica egípcia, quem a utiliza e o que é possível fazer com ela”. Com esta sessão os alunos aprenderam a escrever o seu nome e a numerar. O docente contou que foi de forma surpreendente que os participantes “descobriram as suas capacidades de desenho e que questionaram aquele processo de escrita, nomeadamente, a sua utilização nos nossos dias. Saberem que através do recurso a esta escrita é possível escrever de várias formas – da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, de cima para baixo e, em alguns casos, de baixo para cima – foi algo que os deixou muito curiosos”.

 

Uma semana para mergulhar em Letras

A Laura, o António, a Bárbara e a Leonor, que não se conheciam até ao início desta edição, foram unânimes: o Verão na ULisboa na FLUL foi uma experiência de aprendizagem divertida e já fizeram novos amigos.

Para Laura Zacarias, 15 anos, que encontrou na FLUL um ambiente muito menos formal do que seu colégio “onde temos de usar fardas” o balanço foi “superpositivo”, e já decidiu: “quero vir para Letras”. A Tradução e a Interpretação fazem parte da lista de cursos a ponderar na área das Humanidades.

Indeciso sobre o que escolher futuramente, entre Direito e Letras, António Leite, 15 anos, tinha expectativas altas quanto a esta semana de atividades. O Latim integra a sua lista de preferências do programa da FLUL para este Verão na ULisboa “gostei imenso da língua…”. Destacou, ainda, o AzQuiz, jogo do Azulejo promovido pela Az Lab-Rede de Investigação em Azulejo da FLUL/ ARTIS-IHA, que lhe despertou o interesse por ter aliado a aprendizagem à diversão: “aprendi imensas coisas”.

“Sempre quis aprender Latim e Grego” afirma Bárbara Carvalho, 15 anos, cujas preferências nas Humanidades recaem sobre as línguas clássicas. Não tem ainda ideia sobre o que quer seguir futuramente, mas revelou sempre ter tido interesse pela área das Letras. A semana de atividades correspondeu às suas expectativas e teria gostado que até fosse mais intensa “se for para a área das Ciências gostava de vir aqui fazer cursos de Latim e Grego”.

Pensando trabalhar futuramente em áreas relacionadas com o Turismo, e com as línguas no topo das disciplinas preferidas, Leonor Marques, 14 anos, que vai ingressar no 10.º ano em setembro próximo, no curso de Línguas e Humanidades, diz ter escolhido a atividade da FLUL “para saber o que me aguarda no futuro e também para fazer novos amigos”.

A semana de atividades, que contou também com a participação do Centro de Estudos Indianos, do Centro de Linguística da ULisboa, do Centro de Línguas e Culturas Eslavas, do Centro de Iranologia e do Centro de Estudos Clássicos, uma visita ao campo arqueológico de Vila Nova de São Pedro e uma tarde de atividades desportivas no Estádio Universitário, foi encerrada com a entrega dos diplomas de participação aos estudantes de Letras desta quinta edição de Verão na ULisboa, na presença de alguns dos encarregados de educação.


Texto: Marisa Costa e Tiago Artilheiro (FLUL-DRE, Núcleo de Imagem, Comunicação e Relações Externas)
Fotografia: FLUL-DRE, NICRE