A FLUL foi a casa de escritores de palmo e meio durante uma semana

É a meio de uma oficina de expressão dramática que vamos encontrar um grupo de doze crianças, entre os sete e os catorze anos, a ensaiar um texto.

Entre canetas, textos para declamar, encenar e cantar, um grupo de cinco rapazes treina, nos últimos minutos que restam, a declamação de um texto que vai apresentar aos colegas no auditório. O ator Júlio Martin é o professor de serviço e alerta que “tudo tem de estar pronto dentro de três minutos para a apresentação final”.

Estes doze jovens, entre os sete e os catorze anos, fazem parte de um grupo de vinte que, durante uma semana, escolheram a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa para passar umas férias diferentes.

Estão nas Férias Literárias – Academia de Pequenos e Jovens Escritores, uma iniciativa organizada pelo Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL), que decorreu na FLUL desde a passada segunda-feira até hoje. Cinco dias preenchidos com diversas atividades que incluíram sessões com escritores, oficinas de expressão dramática e ilustração, assim como visitas de estudo a locais onde a escrita e a edição têm lugar de destaque. A Torre do Tombo, a Imprensa Nacional - Casa da Moeda e o Palácio Nacional de Mafra foram apenas alguns dos espaços que fizeram parte dos caminhos literários trilhados por estas crianças.

 

Os grandes objetivos das Férias Literárias estão bem definidos: “estudar, promover e divulgar os escritores e a leitura, muitas vezes uma realidade coberta de mistério para estas crianças, sem esquecer a parte lúdica, igualmente essencial no seu crescimento, ainda mais nesta altura de férias”, explica o Professor Doutor José Eduardo Franco, Diretor-Adjunto do CLEPUL.

Para pôr as Férias Literárias a funcionar foram vários os investigadores do CLEPUL que abraçaram a iniciativa. “Um desafio que lhes lancei e que aceitaram desde logo, também porque é importante abrir a FLUL às novas gerações e, quem sabe, não saem daqui futuros escritores”, sublinha o Professor Doutor José Eduardo Franco.

 

Ler, escrever e descobrir mais sobre o mundo dos livros

Muitos destes jovens já têm hábitos de leitura. Mas as Férias Literárias servem, também, para despertar esse interesse, uma vez que “muitos pais e encarregados de educação viram aqui uma oportunidade para alertá-los para a importância da leitura e da escrita”, conta a investigadora do CLEPUL Rita Balsa Pinho, uma das coordenadoras pedagógicas da atividade.

Para que essa aprendizagem fosse mais prática e evolutiva, os participantes foram divididos em quatro grupos: um grupo para as crianças com sete anos, outro entre os oito e os nove anos, o terceiro grupo tinha idades compreendidas entre os dez e os doze anos e, o último, com seis elementos, tinham entre treze e catorze anos.

 

 

O Francisco tem nove anos e já não lhe restam dúvidas: “o que mais gostei foi de falar com os escritores e de escrever uma história, porque eu gosto muito de ler banda desenhada. E também gostei de ir à Casa da Moeda e perceber como se fazem os livros”. Também o Duarte, com nove anos, diz que a atividade que mais gostou foi "ir à Imprensa Nacional e ver como se faz um livro”. A Marta, com sete anos, é uma das mais novas do grupo e preferiu ver e descobrir mais sobre os livros “já feitos, por isso gostei de ir à Torre do Tombo, porque vi muitos livros que eu nem sabia que existiam”.

A descoberta é uma das palavras-chave para definir as Férias Literárias. “Procurámos que durante esta semana fosse criado um percurso específico, que arrancou com a produção escrita com os escritores Alexandre Honrado e Miguel Real, e que depois esses textos pudessem ser, também, trabalhados na oficina de expressão dramática e na oficina de ilustração, com as ilustradoras Rafaela Rodrigues e Andreia Moutinho”, explica a investigadora do CLEPUL Rita Balsa Pinho.

A primeira edição das Férias Literárias terminou, mas os pequenos e jovens escritores não vão escrever a palavra “fim” nas histórias que produziram. “Para o ano vamos voltar”, dizem em coro!

Reportagem e Fotografia: Tiago Artilheiro (FLUL-DRE, Núcleo de Imagem, Comunicação e Relações Externas)

Vídeo: Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL)