Joana Freitas, investigadora do Centro de História da Universidade de Lisboa, acaba de ganhar uma bolsa Starting Grant 2018 no valor de mais de um milhão de euros (1,062,330 euros), atribuída pelo Conselho Europeu de Investigação (ERC) a investigadores de excelência em início de carreira.

O projeto selecionado pelo ERC - DUNES: O Mar, a Areia e as Gentes. Uma História Ambiental das Dunas Costeiras –, coordenado por Joana Freitas, é o único projeto português a ser financiado pelo ERC pelo período de cinco anos na Área de História, e um dos dois únicos projetos portugueses que vão receber financiamento na área das Ciências Sociais e Humanas.

A investigadora, que trabalha no projeto desde 2004, só em 2015 escreveu a base da proposta no Rachel Carson Center, em Munique, que havia de apresentar à ERC. “As dunas, grandes massas de areia, aparentemente desinteressantes, sobretudo para os historiadores, são o mote para contar histórias fascinantes sobre a relação dos seres humanos com o litoral, em Portugal e no mundo, pensando o passado, o presente e o futuro”, explica.

 

Um projeto de investigação com aplicação prática

O projeto irá fazer uma História Ambiental das Dunas, numa perspetiva comparada, analisando casos de estudo em vários países. Joana Freitas salienta que esta é uma perspetiva inovadora, nunca investigada até agora: “iremos cruzar dados históricos e dados físicos sobre as dunas para perceber a relação das populações com estes ambientes e as transformações que foram sofrendo para, no fim, mostrarmos as dunas e os ambientes costeiros numa nova perspetiva e mostrar como a História pode oferecer um contributo importante para a compreensão da evolução dos litorais”. Um tema da atualidade, pela sua ligação às alterações climáticas ambientais globais.

A investigadora acentua que o projecto DUNES pode ser útil de várias formas para todos aqueles que têm responsabilidades na gestão costeira. Joana Freitas sublinha que a investigação vai mostrar como “num tempo longe de dois ou três séculos foram geridos estes espaços, que ações foram implementadas e quais as suas consequências a longo prazo, fornecendo exemplos práticos, testados, das melhores formas de intervenção nas dunas (tipo de cercas, espécies de plantas, etc)”. Mas não só. A investigadora do Centro de História da Universidade de Lisboa destaca, também, a importância do projeto por considerar as dunas como “patrimónios culturais”, sugerindo, a este nível, a leitura de Batalha sem fim, de Aquilino Ribeiro.

Foi há quase um ano que Joana Freitas apresentou a proposta ao ERC. Quando passou à segunda fase, a investigadora deslocou-se a Bruxelas para uma entrevista: “esta é a parte mais difícil, uma vez que estão mais de dez especialistas numa sala pequena, e tive vinte minutos para apresentar o projeto e responder a perguntas”, conta.

O resultado chegou agora: há mais de um milhão de euros entregues a um projeto de um centro de investigação da FLUL. O projeto será composto por cinco pessoas a tempo inteiro, quatro investigadores e um gestor de ciência. Terá ainda um senior researcher e um consultor externo, a tempo parcial. “A grande particularidade desta equipa, que foi muito valorizada pelo painel de avaliação do ERC, é a sua componente interdisciplinar, pelo que parte da equipa a contratar será da área das Ciências Naturais”, diz a investigadora.

Joana Freitas é doutorada em História Contemporânea pela FLUL (2011), instituição onde fez também o Mestrado em História Contemporânea (2005) e a Licenciatura em História (2000). Foi, ainda, investigadora de Pós-Doutoramento no IELT - Instituto de Estudos e Literatura e Tradição, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (2011-2018), Linda Hall Library Fellow nos EUA (2014) e Rachel Carson Fellow na Alemanha (2015).

Texto e Fotografia: Tiago Artilheiro (FLUL-DRE, Núcleo de Imagem, Comunicação e Relações Externas)