Programa 2018/2019

Mestrado em Estudos de Teatro

Seminários obrigatórios:

História do Teatro e do Espectáculo | José Pedro Serra
1º semestre | 6ª 10:00 às 13:00 | Sala

Introdução. Da “morte de Deus” ao regresso do trágico. O teatro grego
A tragédia ática. O teatro e a polis: da origem da tragédia à sua contextualização religiosa, política, social e cultural; Os tragediógrafos gregos: Ésquilo, Sófocles e Eurípides. A comédia grega: Aristófanes. O pensamento crítico sobre a tragédia; Platão e a expulsão dos poetas da cidade; A Poética de Aristóteles: da mimese à catarse. Séneca: estoicismo e tragédia das “paixões” (Tiestes). A comédia romana: Plauto e Terêncio. As reformulações clássicas da tragédia e do trágico: Shakespeare (Macbeth) e Racine (Phédre); A metamorfose contemporânea da tragédia; A tragédia da banalidade ou a transfiguração do trágico: alguns exemplos (Woyzeck de Georg Büchner; Death of a Salesman de Arthur Miller); A questão da “morte da tragédia”. Tragédia, trágico e géneros literários; O trágico como categoria filosófica. Nietzsche e a filosofia trágica; Expressões contemporâneas do trágico. A recriação dos mitos clássicos na tragédia e na comédia.


Arquivo e memória do Espectáculo | professor/a a designar
1º semestre | Sábado 10:00 às 13:00 | Sala

Incidindo sobre a memória e os usos performativos do arquivo, procura-se neste seminário lançar bases metodológicas e historiográficas para a investigação empírica sobre o espectáculo em Portugal com especial incidência na segunda metade do século XX. Na primeira parte do seminário (eminentemente teórica) discutir-se-ão textos sobre arquivo escritos por autores como Foucault, Derrida, Deleuze, Baudrillard e Hal Foster, colocando-os em relação com estudos sobre a transmissão performativa da memória realizados por autores como Enzo Traverso, Alessandro, Portelli, Diana Taylor, Rebecca Schneider, Paul Connerton ou Joseph Roach. Já na segunda parte (de carácter metodológico), será dada uma particular atenção à discussão de metodologias de história oral, ao trabalho de arquivo e etnografia participante, analisando em paralelo quer obras de artistas portugueses que têm trabalhado sobre a memória do espectáculo em Portugal, quer projectos editoriais ou documentais em que a mesma é organizada e tornada pública.


Teorias das Artes Performativas | Vera San Payo de Lemos
2º semestre | 6ª 10:00 às 13:00 | Sala

Teorias das artes performativas; o lugar do espectador; os manifestos futuristas de Marinetti; o teatro teatral de Meyerhold; as peças didácticas de Brecht; os manifestos do teatro da crueldade de Artaud; o teatro documental de Peter Weiss; as peças faladas de Peter Handke; as criações de Ariane Mnouchkine; as teorias (Hans-Thies Lehmann, Jean-Pierre Sarrazac) e as várias configurações do teatro pós-dramático e rapsódico (Heiner Müller, Elfriede Jelinek, Rimini Protokoll, Heiner Goebbels).


História do Teatro em Portugal | José Camões
2º semestre | 6ª 14:00 às 17:00 | Sala

O programa centra-se na actividade teatral em Portugal no século XVI, tendo em conta quer a herança das práticas teatrais anteriores, quer a inovação que a encaminha para a modernidade. Estudam-se documentos que testemunham o que terá sido a prática teatral na transição do século XV para o XVI e alguns textos de Gil Vicente que evidenciam a instituição do teatro, quer como mercadoria recreativa quer como arte de contornos específicos, até ser ele próprio objecto da sua representação por autores posteriores: António Ribeiro Chiado (Auto da Natural Invenção) e Luís de Camões (Auto d’el Rei Seleuco) e Auto dos Sátiros, de autor anónimo.


Seminários opcionais oferecidos pelo Programa:

Análise do Espectáculo (6 ECTS) | Anabela Mendes
1º semestre| 6ª 14:00 às 17:00 | Sala

Este seminário consubstancia-se em visionamento conjunto de obra artística ao dispor na cidade e fora dela. Sobre aquilo que virmos criaremos pensamento, escrevendo e dialogando, investigando e propondo leitura própria. Será protagonista um Diário de Bordo que nos acompanhará como talismã. Consolidaremos e expandiremos as nossas capacidades cognitivas e emocionais, a seu tempo disponíveis em cada um de nós, e activar-nos-emos na espectação daquilo que em conjunto escolhermos. Saberemos sempre que a activação dessas capacidades decorre de um processo orgânico e natural, suportado por vivências, memórias e gostos individuais, mas também pela fisiologia, configuração genética, plasticidade cerebral e disposição anímica. Essas capacidades configuram a nossa identidade como espectadores e são configuradas pela experiência de sociabilização inerente ao próprio espectáculo e ao lugar onde ele decorre independentemente do género ou tipo que o determina. Virão em nosso auxílio pensadores de diversas áreas do conhecimento, com os quais procuraremos desenvolver resposta às inquietações que nos perturbem. Aprenderemos com o erro sem dele termos receio. Todo o espectáculo artístico apresenta sempre muitas portas e janelas para entradas e saídas múltiplas.


Práticas editoriais de Teatro (6 ECTS) | José Camões
1º semestre | 2ª 10:00 às 13:00 | Sala

Apresentação de conceitos básicos de crítica textual e terminologia (recensão, colação, estemática, arquétipo, original, autógrafo, apógrafo, testemunho, erro, variante, versão)
A produção de texto de teatro na Idade Moderna.
A especificidade da transmissão do texto dramático: borrão, cópia limpa (para impressão e para representação), papéis de actores; marginália; didascálias.
O original ausente (compreensão dos processos de transmissão do texto cujo original se perdeu).
Tipologias de variantes: identificação, representação, estudo.
Estabelecimento do texto: transcrição do texto base (critérios)
Anotação
Análise de modelos


Políticas culturais (6 ECTS) (parceria com ICS e FMH) |Vera Borges
1º semestre | 6ª 17:00 às 20:30 | Sala

Introdução genérica aos conceitos e ações práticas das políticas públicas, administração e gestão nas artes, e perspetivar o estudo das artes cénicas na sua relação com as dimensões política, económica, social, cultural e artística. Reconhecer alguns dos desafios que se colocam à gestão da cultura: conhecer a legislação portuguesa sobre instituições culturais e artísticas, bem como o seu enquadramento legislativo e institucional no contexto da Comunidade Europeia (e nos mercados atrativos fora da Europa); saber desenvolver procedimentos corretos na planificação das indústrias culturais, com impacto no desenvolvimento regional; perceber os apoios que poderão advir de instituições não governamentais, e de parcerias com os meios de comunicação; conhecer os modos de financiamento público (central e municipal) disponíveis (programas específicos e canais de publicitação institucional), formas de mecenato; perceber – e saber usar – as "regras" do mercado na programação e publicitação.


Gestão de projectos em artes cénicas (6 ECTS) (parceria com ICS e FMH)
Vera Borges | 2ºsemestre | 6ª 17:30 às 20:30 | Sala

O seminário faz a introdução genérica aos conceitos e práticas de gestão no campo das artes cénicas, perspetivando a sua relação com as dimensões política, económica, social, territorial, cultural e artística. Visa: reconhecer os desafios que se colocam à gestão das instituições culturais e artísticas; conhecer a legislação portuguesa sobre instituições culturais e artísticas, bem como o seu enquadramento legislativo e institucional no contexto da Comunidade Europeia (e nos mercados atrativos fora da Europa); levar a desenvolver procedimentos corretos na planificação dos projetos culturais com envolvimento regional; perceber os apoios que poderão advir de instituições não governamentais, e de parcerias com os meios de comunicação; conhecer os modos de financiamento público (central e municipal) disponíveis (programas específicos e canais de publicitação institucional), formas de mecenato; perceber – e saber usar – as "regras" do mercado na programação e publicitação.


Doutoramento em Estudos de Teatro

Seminários obrigatórios:

Metodologias de Investigação em Teatro e Artes Performativas | Maria João Almeida e Maria João Brilhante
1º semestre| 2ª 10:00 às 13:00| Sala 2.12

O Seminário visa desenvolver as competências necessárias para uma investigação autónoma e a realização do trabalho académico de conclusão do 3º ciclo (relatório, tese) na área dos Estudos de Teatro e de Artes performativas. As sessões incidem sobre questões conceptuais, científicas e metodológicas atinentes ao fenómeno teatral como objecto de estudo; processos, metodologias e planeamento das fases de investigação; tipologia de modos de trabalho; forma de apresentação da tese e do relatório; formas específicas de apresentação de trabalho de campo ou de criação.


Teorias do Teatro e da Performance | Rui Pina Coelho
1º semestre| 6ª 10:00 às 13:00| Sala

O corpus de análise para esta UC foi seleccionado de modo a estabelecer os fundamentos de algumas das principais teorias do teatro e da performance ao longo do século XX. O estudo aprofundado de cada um dos autores e dos seus contextos históricos e artísticos permitirá estabelecer as relações entre os diferentes discursos críticos e teóricos seleccionados. O enfoque, num primeiro momento, é feito na apresentação, definição e contextualização histórica dos conceitos estruturantes, tais como “Estudos de Teatro”; “Estudos de Performance” e “História do Teatro”. Num segundo momento, discutir-se-ão textos seminais para os estudos de teatro e da performance, provenientes de várias disciplinas artísticas, de autores como Arnold Van Gennep, Johan Huizinga, Milton Singer, Kenneth Burke, J. L. Austin, Erving Goffman, Bert O. States, Grahame F. Thompson, Janelle Reinelt, Jon McKenzie, Jean-Francois Lyotard, Peggy Phelan, Richard Schechner e Erika Fischer-Lichter.


Workshop II – Artes Performativas, Imagem e Cognição | Maria João Brilhante 1º semestre| 6ª 17:00 às 20:00| Sala

Os contributos da ciência cognitiva 1) para o estudo do envolvimento mental, emocional e sensorial de artistas e espectadores no evento teatral e performativo, sinalizando o seu estatuto autopoiético e 2) para a identificação de metáforas primárias que participam da experiência partilhada do mundo e intervêm no permanente “fazer” do sentido de cada evento.
Os conceitos de espacialidade e temporalidade no teatro e na performance, a sua incorporação pelo actor e pelo espectador através de padrões de acções, imagens, emoções e suas consequências a nível cognitivo.
Modos de relação entre efemeridade das artes performativas e inscrição das experiências físicas (corpo) na mente (memória). O arquivo de imagens como instrumento e criação.


Seminário de doutoramento | Maria João Brilhante e Catarina Firmo
2ºsemestre| 6ª 14:00 às 17:00| Sala

Este seminário é o espaço por excelência do cruzamento, do confronto e da fertilização heurística das disciplinas. Pretende-se com ele desenvolver a capacidade dos estudantes para a realização de investigações originais capazes de fazer progredir o saber sobre teatro e artes performativas relativamente às áreas sobre que incide o ciclo de estudos e que se concretizam nas unidades curriculares opcionais.
Os conteúdos serão definidos de acordo com as áreas de investigação: de investigadores senior convidados a apresentar um tópico e a discuti-lo com estudantes e docentes do curso; de investigadores junior do CET que serão convidados a fazer uma apresentação sobre o seu tema de investigação; dos estudantes, que deverão assistir a todas as sessões, e que apresentarão um trabalho individual realizado para um dos seminários do 1º ano do curso. Tanto quanto possível, serão preparadas sessões que respondem aos interesses, dificuldades, lacunas e necessidades de formação dos doutorandos e que não estejam cobertas pelos conteúdos programáticos das unidades curriculares.


Workshop I – Prática como Investigação | Gustavo Vicente e Paula Caspão |2º semestre | 2ª 10:00 às 13:00| Sala

Em Prática como Investigação (PcI) pretende-se deslocar o olhar sobre o conhecimento, recentrando os processos de investigação nas artes performativas em torno da experiência corpórea do ‘fazer’ – à margem da ‘observação objectivada’ que tem balizado os paradigmas da investigação noutras áreas. Adopta, por isso, um formato de oficina teórico-prática, na qual se procura mobilizar o pensamento crítico com vista à produção de conhecimento a partir de uma investigação baseada na prática. Através da promoção da discussão em torno dos processos de pesquisa (materiais, contextos, modos de produção e transferência do saber), por um lado, e o desenvolvimento de metodologias abertas à exploração individual (experimentação, selecção, produção, composição, repetição, improvisação), por outro, a PcI vai ainda ao encontro das necessidades de quem vier a fazer a sua investigação de doutoramento a partir da criação artística.


Seminários opcionais oferecidos pelo Programa:

Estudo do Teatro e Humanidades Digitais (12 ECTS) | José Camões
1º semestre | Sábado 10:00 às 13:00 | Sala

O acesso aos objectos de estudo. Arquivos, bibliotecas e museus digitais.
Adequação dos recursos digitais ao estudo do teatro nas suas múltiplas vertentes (histórica, literária, cénica, etc.). Um caso específico: os recursos do CET (documentação, edição. Iconografia, reconstrução virtual).
Organização da informação recuperada pelo cruzamento de resultados obtidos em diversos recursos como metodologia para a investigação pessoal.
A construção de redes.
Duas faces de uma realidade: bastidores / backoffice e cena / front interface.
Detectar inconformidades ainda existentes entre as humanidades e as novas tecnologias – cedência, compromisso e reivindicação.
Avanços e dificuldades acrescidas: a efemeridade dos objectos virtuais.
Construção de uma sitiografia para o estudo do teatro.


Genética Teatral (6 ECTS) | Ana Clara Santos
1º semestre | Sábado 10:00 às 13:00 | Sala

Este seminário pretende abrir novas perspectivas de reflexão epistemológica e metodológica para a História do teatro e do espectáculo, colocando a investigação da área da genética teatral ao serviço do conhecimento sobre a construção de uma obra em movimento. Questionar o processo criativo a partir das mutações do gesto criador corresponde a um novo paradigma no estudo das artes cénicas em torno da discussão das noções de esboço, de traço, de processo e de produto. Redimensionar o estudo da criação teatral e do gesto criador para além da análise puramente hermenêutica ou semiológica, constitui, assim, uma forma de sensibilização para esta nova abordagem, inédita em Portugal, na qual será dada primazia ao estudo das etapas do processo criativo, da fase de concepção e elaboração até à fase de produção.


Crítica das Artes performativas (6 ECTS) | Rui Pina Coelho
2º semestre | 6ª 10:00 às 13:00 | Sala

Para interpelarmos a crítica das artes performativas, tendo em conta as funções, papéis e importâncias relativas que foi tendo em diferentes contextos geográficos e históricos , é necessário inscrevê-la na esfera pública e atentar nas relações sociais e culturais que o discurso sobre espectáculos mobiliza. Os tópicos em discussão (a história da crítica de artes performativas; a paisagem actual da crítica de artes performativas no plano internacional; a crítica de teatro no século XXI; Avaliar e/ou Interpretar; a alegada crise dos media; a crítica de artes performativas e a esfera pública ) possibilitarão colocar em confronto diferentes práticas, em diferentes contextos geográficos, sociais e culturais.
Estas práticas são frequentemente marcadas pela maneira como o discurso crítico foi respondendo à introdução de novos suportes tecnológicos e aos desvios e cruzamentos com outras formas e disciplinas artísticas, produzindo novos paradigmas e alterando o cânone teatral. Este questionamento e problematização possibilitarão a produção de análises a espectáculos com instrumentos capazes de interpelar criticamente as práticas cénicas contemporâneas.


Espectáculo e Cognição (12ECTS) | Anabela Mendes
2º semestre | 2ª 14:00 às 17:00

O ponto é um ser introvertido cheio de potencialidades.
Wassily Kandinsky
O sistema nervoso entérico não é periférico, mas sim central!
António Damásio

A unidade curricular Espectáculo e Cognição desenvolverá a sua actividade em torno do conceito de Persona (do Latim: per sonare), a fim de identificar a transversalidade e mutabilidade do conhecimento mobilizado pelo programa em quatro áreas distintas que propõe: artes performativas, cinema, neurociência aplicada às humanidades, pensamento jurídico-moral.
O trabalho em torno de cada uma destas áreas do conhecimento permitirá aprofundar o conceito de Persona conjugando-o não só com as áreas mencionadas, mas também perspectivando-o através de áreas subsidiárias de um vasto conjunto de que destacamos as artes plásticas, a música, a filosofia. Paralelamente, os vários núcleos temáticos explorarão a presença de Persona a partir de constelações conceptuais específicas: personagem - anti-personagem – papel - máscara como visualidade - máscara como dispositivo ressoador – rosto-máscara - ocultação/afronta social – desdobramento – composição – enquadramento/duração – personalidade – capacidade - estatuto, entre outras.
Identificaremos também, para cada uma destas vertentes do conceito de Persona, contextualizações próprias e decorrentes das obras a seleccionar, que se projectarão no espaço cénico-performativo e no espaço cinematográfico. Será fomentado diálogo com a diversidade e a amplitude do representacional e correspondentes linguagens, através da análise de comportamentos e configurações do corpo vivo e do corpo potenciado. Dinamizaremos Persona como um ponto e suas linhas expansivas no exercício de cooperação e conflituação e como manifestações da vida entre norma e liberdade.