A 10.ª campanha de escavações arqueológicas da UNIARQ, Centro de Arqueologia da ULisboa, em Monte Molião, Lagos, teve lugar entre 16 de Julho e 24 de Agosto, tendo sido integralmente financiada pela Câmara Municipal de Lagos, ao abrigo de um protocolo que une esta autarquia algarvia à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL).

Os investigadores da UNIARQ Ana Margarida Arruda, Carlos Pereira e Elisa de Sousa dirigiram os trabalhos no terreno, que contaram com a colaboração voluntária de estudantes da licenciatura e do mestrado em Arqueologia da FLUL, bem como de alunos da Universidade de Frankfurt, de colegas bolseiros pós-doutorais, e de um técnico de conservação e restauro, uma equipa que somou um total de 40 pessoas. A arqueóloga municipal, Elena Morán, acompanhou, em permanência, os trabalhos, tendo prestado todo o apoio técnico necessário.

Os trabalhos de campo desta 10.ª campanha de investigação, integrada no projeto "Monte Molião na Antiguidade", incidiram no designado Sector A, junto à rua do Molião, tendo-se escavado alguns dos 15 compartimentos integrantes do edifício que se desenvolve para Sul, e que, no alargamento efectuado na campanha de 2017, tinham sido identificados e definidos em planta. O excelente estado de conservação dos espaços domésticos de época romana imperial e dos materiais que estavam incorporados nos sedimentos que os preenchiam, muitos dos quais completos, obrigou à presença, praticamente em permanência, de uma técnica de conservação e restauro, que procedeu ao tratamento dos materiais in situ e à sua remoção, mas também a trabalhos de consolidação de muros. A grande maioria dos estratos escavados no interior dos compartimentos, que em certos casos atingiram mais de 1,50 metros de potência, datam de época romana, especificamente das dinastias júlio-cláudia e flávia, facto comprovado pela tipologia e características dos materiais que foram recuperados, cerâmicos, vítreos, metálicos e ósseos. Outro tipo de restos foi também recolhido, concretamente abundante fauna marinha, que preenchia o interior de algumas ânforas.

Os resultados obtidos revelam-se da maior importância para a compreensão da presença romana no litoral Sul do actual território português e o estudo detalhado dos milhares de peças que esta Campanha proporcionou, devidamente associados aos respectivos contextos, que se iniciará no próximo mês de setembro, permitirá novas leituras sobre a romanização da área de Lagos, em particular, e do Algarve, em geral.

O projeto de investigação "Monte Molião na Antiguidade" foi iniciado em 2006, considerando a "importância e o significado do sítio, que muitas vezes se identificou com a Laccobriga de Pompónio Mela", como refere a página deste projeto.



Fonte: Projeto "Monte Molião na Antiguidade", UNIARQ
Fotografias: Ana Margarida Arruda, Investigadora Principal com Agregação, UNIARQ/ FLUL