Com o objetivo de refletir sobre a prática de voluntariado no ensino superior, realizou-se na FLUL no dia 29 de janeiro, e pela primeira vez em Lisboa, o Encontro de Voluntariado Universitário: Modelos e Práticas, organizado pelo Núcleo de Apoio ao Estudante da FLUL (NApE) e pelo Gabinete de Apoio Psicopedagógico ao Estudante da Faculdade de Psicologia e do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

No Encontro, que contou com cerca de 80 participantes vindos de universidades e institutos politécnicos de todo o país- UTAD, UAveiro, ULisboa, IUL – ISCTE, UNL, UÉvora, UALG, IPCoimbra, IPLeiria, IPPorto, IPLisboa, IPSetúbal, IPSantarém, UCP Porto, Escola Superior de Saúde Norte da Cruz Vermelha Portuguesa -, estiveram em cima da mesa vários temas relacionados com a ética, a filosofia, a promoção e a definição de modelos de voluntariado na Academia.

“As vantagens e desvantagens do voluntariado universitário ser creditado, de poder constar do currículo académico, bem como as questões relacionadas com um maior envolvimento dos órgãos de gestão e comunidade académica foram assuntos amplamente discutidos” afirmou Lília Aguardenteiro Pires, coordenadora do NApE, unidade que coordena o Programa de Voluntariado da Faculdade de Letras (PV-FLUL).

No painel de abertura, Paula Correia, representante da CASES – Cooperativa António Sérgio para a Economia Social, destacou os “princípios de solidariedade, gratuitidade e responsabilidade”, que são inerentes ao voluntariado universitário.

Sobre as competências específicas, Eugénio Fonseca, presidente da Confederação Portuguesa do Voluntariado, acentuou que “ninguém se faz voluntário na Universidade”, frisando ainda que “o voluntariado educa-se e deve ter capacidade para gerar intergeracionalidade”. Sem esquecer que a “visibilidade deste tipo de ações na universidade é uma luta”, Eugénio Fonseca vê de forma positiva a creditação com ECTS em troca de voluntariado, observando que também os “docentes têm que estar envolvidos nos programas de voluntariado”.

De forma a promover o trabalho e importância destes programas, e no contexto das suas ações de responsabilidade social, também as instituições privadas têm premiado o trabalho realizado. Isso mesmo destacou Cristina Dias Neves, representante do Prémio de Voluntariado Universitário do Santander Universidades, ao referir que o prémio vai já na 3.ª ediçãoe que, para além dos valores pecuniários, oferece aos “dez finalistas a possibilidade de terem um mentor do Banco Santander no acompanhamento do projeto”.

Também Elsa Justino, administradora dos Serviços de Acção Social da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, moderadora de uma das sessões, disse que “existe um grande trabalho a fazer na potenciação do voluntariado em ambiente académico, e que esse é um trabalho exigente”.

Durante o Encontro tiveram ainda voz as Associações de Estudantes e grupos de alunos que promovem voluntariado, avaliando-se formas de creditação, bem como estratégias que envolvam a comunidade académica neste tipo de iniciativas.

Do balanço desta primeira iniciativa realizada na FLUL, fica o compromisso, segundo Lília Pires, de se realizar um novo encontro e a necessidade de ser criada uma rede formal de Instituições de Ensino Superior para a partilha e a divulgação de boas práticas nesta área.  

Serviço ao outro: realidades do voluntariado na Faculdade de Letras

O tema do voluntariado não é alheio à Faculdade de Letras, fazendo parte, desde há vários anos, das ações de envolvimento da instituição com a sociedade e de apoio à própria comunidade académica, em áreas como a biblioteca, o apoio a estudantes, entre outras. O Programa de Voluntariado da FLUL (PV-FLUL) foi formalizado com a publicação de um regulamento próprio em 2001, tendo vindo a ampliar as suas áreas de intervenção para além da Faculdade através de parcerias com entidades externas, muitas vezes por sugestão dos próprios voluntários. Hoje, o programa conta com cerca de 170 candidatos, em média, anualmente, número cuja esmagadora maioria é composta por estudantes.

Apostando na formação, certificação e promoção de competências em voluntariado em estudantes universitários, a FLUL, a Faculdade de Psicologia e o Instituto de Educação criaram, em 2014, o curso Curriculum do Voluntário Universitário (CVU) aberto a toda a comunidade universitária. Com cinco edições já realizadas, o curso soma em média 72 estudantes por ano, oriundos de várias instituições de ensino superior da capital.  

O voluntariado universitário é só para estudantes?

Dos dados recolhidos pelo NApE, os projetos de voluntariado propostos à instituição não têm conhecido grande adesão por parte de docentes, técnicos e administrativos da Faculdade de Letras, com exceções pontuais, como a angariação de fundos para a Operação Nariz Vermelho, para a qual foi possível mobilizar toda a comunidade académica.

Quanto aos desafios atuais, apesar do trabalho de programação, promoção e formação no âmbito do voluntariado desenvolvido desde há quase duas décadas na Faculdade de Letras, é necessário “mobilizar a comunidade académica, em particular os docentes e os técnicos da FLUL, a participar enquanto comunidade, em ações de voluntariado conjuntas” sublinha Lília Aguardenteiro Pires. Relativamente aos alunos, o incentivo à criação de projetos próprios de voluntariado ou o aumento da participação em iniciativas externas fazem parte dos objetivos traçados pelo NApE para este programa.

Texto: Marisa Costa e Tiago Artilheiro (FLUL- DRE, Núcleo de Imagem, Comunicação e Relações Externas)
Fotografias: FLUL- Núcleo de Apoio ao Estudante (NApE)