Nos meses de Verão há novos “alunos” que entram na Faculdade pela primeira vez.

Têm entre seis e catorze anos e vêm descobrir a cultura clássica. Acompanhámos uma tarde da Officina Romanorum, um atelier de férias organizado pelo Centro de Estudos Clássicos, que na décima primeira edição continua a despertar um grande interesse junto dos mais novos.

Reportagem e Fotografia: Tiago Artilheiro (FLUL-DRE, Núcleo de Imagem, Comunicação e Relações Externas)

 

Na tarde de terça-feira 25 de Junho é nas salas 2.1 e 5.2 da FLUL que as actividades têm lugar. Há uma sessão sobre cerâmica a decorrer numa sala com cerca de 20 alunos. Atentos, o grupo de crianças entre os seis e os onze anos vai respondendo acertadamente às questões colocadas. Nereida Villagra, investigadora no Centro de Estudos Clássicos da ULisboa que coordena a iniciativa, conta que “a cada ano os alunos demonstram grande interesse pela cultura clássica, quem sabe se não temos aqui futuros filólogos clássicos”. Na outra sala era tempo de acabar as ilustrações iniciadas no dia anterior, depois de uma sessão com a ilustradora Catarina Sobral. 

O dia tinha começado cedo, às 9h30, com uma visita ao Museu de História Natural. Débora Caldas, oito anos, de Vialonga, era uma das participantes mais satisfeitas com a visita. “Gostei muito do Museu, mas também gostei da ilustração e de aprender a contar a história pelo vasos gregos. Foi a minha mãe que me inscreveu para não ficar só a ver televisão durante as férias e para não me aborrecer”, diz. 

Este ano o tema da Officina é o O Céu na Antiguidade, “para aproveitarmos as últimas descobertas sobre o buraco negro, nomeadamente, a primeira fotografia que foi revelada há poucos meses”, refere a investigadora Nereida Villagra.

A realização de uma peça de teatro com os participantes e uma dança, sirtaki, fazem também parte do programa, que inclui aulas de grego e de latim. Estas últimas despertam o interesse de muitos aulos, como acontece com João Pereira, oito anos, de Lisboa, que, considera as línguas “um bocadinho difíceis, mas interessantes”.

Na Officina Romanorum as crianças e jovens estão divididos em dois grupos, o primeiro dos seis aos onze anos e o segundo grupo dos doze aos catorze anos. Muitos dos trinta e dois participantes são repetentes. É esse o caso de Maria Silva, nove anos, de Torres Vedras. “Gostei muito da aula de dança, mas também de estar a ensaiar agora a peça de teatro. É o meu segundo ano porque gostei muito do primeiro e estava ansiosa por voltar, para podermos ter estas experiencias que muita gente não pode ter na nossa idade”, conta. 

Uma ida a Tróia e ao Museu Gulbenkian completam o programa da Officina deste ano, que decorre entre 24 e 28 de Junho, com a colaboração de voluntários, estudantes de vários dos cursos da Faculdade de Letras.