A Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, através do projecto University Network for Innovation, Technology and Engineering (UNITE!), vai fazer parte de um conjunto restrito de universidades da União Europeia que, através de alianças transnacionais, tem como objectivo fomentar a cooperação entre os estabelecimentos de ensino superior.

O projecto UNITE foi um dos 17 seleccionados pela Comissão Europeia e vai promover a qualidade, inclusão, atractividade e competitividade do ensino superior europeu. Desta aliança UNITE vão fazer parte a ULisboa, a Aalto University (Finlândia), o Grenoble Institute of Technology (França), o KTH Royal Institute of Technology (Suécia), o Politecnico di Torino (Itália), a Universitat Politècnica de Catalunya (Espanha) e a Technische Universität Darmstadt (Alemanha), universidade que coordena o projecto.

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Alunos Erasmus na FLUL

 

Universidades Europeias vão ser os novos campus interuniversitários

Através do enquadramento como “Universidade Europeia”, a Universidade de Lisboa deverá integrar um campus transeuropeu onde a cooperação científica nos domínios do ensino, investigação e transferência de conhecimento esteja a funcionar de forma integral já em 2025. Prevê-se que este seja o caminho para as universidades europeias do futuro, promovendo valores e identidade europeus e revolucionando a qualidade e a competitividade do ensino superior europeu.

Apesar de a UNITE surgir no seio de uma rede cuja actividade e objectivos se centram nas áreas de Engenharia, Ciência e Tecnologia, reflectindo o foco principal da actividade das escolas envolvidas, desde o inicio ficou clara a intenção dos promotores de que os objectivos da proposta e do consórcio fossem bastante abrangentes. A UNITE estende-se da Finlândia a Portugal e pretende, através da educação multidisciplinar e multicultural dos seus alunos, prepará-los para os desafios do mercado de trabalho e capacitá-los para resolver desafios globais.

“O contributo da FLUL centra-se de forma muito significativa na criação e gestão de um Centro de Línguas do consórcio e, de modo particular, no ensino de português como língua estrangeira, apostando fortemente numa dimensão virtual”, explica a subdirectora da FLUL Professora Alexandra Assis Rosa. Com este objectivo é recuperada a capacidade já instalada de formação presencial e deslocalizada em Português Língua Estrangeira, seguindo os níveis do Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas (QECR). O Instituto de Cultura e Língua Portuguesa da Faculdade de Letras garante a formação presencial, sendo a formação deslocalizada oferecida na plataforma online ´O Meu Português`. “Esta intervenção contribuirá para a missão da UNITE através do fortalecimento da mobilidade por via da formação de competências de comunicação intercultural centrado numa identidade europeia multicultural e multilingue”, acentua a subdirectora da FLUL.

Em comunicado, a Comissão Europeia informa que “as Universidades Europeias vão constituir-se em verdadeiros campus interuniversitários em torno dos quais os estudantes, os doutorandos, o pessoal e os investigadores podem circular sem barreiras”. Estas Universidades vão reunir os seus conhecimentos especializados, plataformas e recursos para a realização de programas ou módulos comuns que abranjam várias disciplinas. O projecto procura apresentar, igualmente, flexibilidade nos programas curriculares, permitindo aos estudantes personalizar a sua educação, escolhendo o que querem estudar, onde e quando fazê-lo, obtendo um diploma comum. 

No total, está disponível um orçamento máximo de 85 milhões de euros para as primeiras 17 Universidades Europeias, recebendo cada aliança até 5 milhões de euros em financiamento aplicável entre 2019 e 2022. 

As Universidades Europeias têm, também, uma preocupação clara com o desenvolvimento económico sustentável das regiões onde se encontram, acentuando a Comissão Europeia que “os seus estudantes irão trabalhar em estreita colaboração com empresas, autoridades municipais, académicos e investigadores, para encontrar soluções para os desafios que as suas regiões enfrentam”.

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Representantes das Universidades que integram a aliança UNITE

 

Da ideia à selecção das primeiras alianças

Em Setembro de 2017, num discurso na Universidade Sorbonne, o presidente Emmanuel Macron lançou a ideia de um programa de network de Universidades Europeias em que todos os alunos estudem em diferentes países e tenham aulas em pelo menos duas línguas. Segundo ele, este programa deveria caracterizar-se por ser inovador e de excelência. Em Novembro de 2017, a Comissão Europeia propôs esta nova iniciativa aos líderes da União Europeia, antes da Cimeira Social de Gotemburgo. Aprovada um mês depois, o Conselho Europeu apelou à emergência de pelo menos 20 universidades europeias até 2024. Mas não só. O objectivo é que até 2025 seja criado um verdadeiro Espaço Europeu da Educação.

Definidas as alianças, a Comissão Europeia recebeu 54 candidaturas, mas só 17 Universidades Europeias passaram no crivo do júri, composto por 26 peritos externos independentes, incluindo reitores, professores e investigadores, nomeados pela Comissão. Este primeiro grupo de alianças é composto por 114 estabelecimentos de ensino superior de 24 estados membros, incluindo a Universidade de Aveiro e a Universidade do Porto. 

Cada aliança é composta por uma média de sete instituições de ensino superior de todas as partes da Europa, conduzindo a novas parcerias, reflectindo a distribuição dos pedidos recebidos dos vários países.

Texto: Tiago Artilheiro, com Denise Matos Moura (FLUL-DRE, Núcleo de Imagem, Comunicação e Relações Externas)

Fotografia: FLUL-DRE, Núcleo de Imagem, Comunicação e Relações Externas e Instituto Superior Técnino/ Direitos Reservados