Investigadora Maria Luísa Resende distinguida com Prémio Professor Francisco Vieira de Almeida 2020

A Fundação Vasco Vieira de Almeida (FVVA) e a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) distinguiram ontem, no Auditório da Vieira de Almeida em Lisboa, Maria Luísa Resende com o Prémio Professor Francisco Vieira de Almeida, galardão na área das humanidades, instituído em homenagem ao Professor Catedrático da FLUL.

A alumna Maria Luísa Resende foi distinguida, na primeira edição do Prémio, pelo trabalho intitulado "A Transmissão de Luciano de Samósata em Portugal no Século XVI", uma análise da transmissão da obra deste a partir de testemunhos inéditos.

Na abertura da cerimónia de entrega do Prémio, João Vieira de Almeida, Chairman da Fundação VVA, agradeceu aos membros do júri “todo o imenso esforço que tiveram” na análise dos trabalhos a concurso, felicitando a vencedora desta primeira edição.

Em representação do júri, José Pedro Serra, Professor e Director da Biblioteca da FLUL, referindo que o Prémio “não podia prescindir do rigor e seriedade académicos”, sublinhou que o trabalho vencedor apresenta uma “indesmentível” qualidade intelectual, “sendo um estudo do máximo interesse, em particular para a questão do ensino do grego em Portugal”. Demonstrando um rigor e clareza de expressão, a vencedora deixou “ainda espaço para novas investigações” sobre o tema, explicou José Pedro Serra.

Na entrega do galardão, Vasco Vieira de Almeida, Sócio Fundador da VdA, destacou que a obra vencedora “para além dos seus méritos próprios, teve a vantagem de se concretizar com a qualidade que demonstra”.

A vencedora do Prémio, Maria Luísa Resende, agradeceu à Fundação VVA e à FLUL esta distinção, que “significa o culminar de vários anos de um longo percurso na Faculdade de Letras”. A alumna referiu que o Prémio “representa um incentivo muito significativo, sobretudo porque constitui o reconhecimento da importância de estudar o património português, mais particularmente o precioso material preservado em bibliotecas e afins, que foram ao longo da nossa história, por motivos vários, alvo de incúria e também de parcial destruição”. Como jovem investigadora, a vencedora dedicou o prémio aos seus professores da FLUL, em particular aos orientadores da tese de doutoramento que deu origem ao trabalho vencedor.

A cerimónia terminou com a CEO da FVVA, Margarida Couto, a frisar que este “Prémio, pioneiro em Portugal, tem a ver com a preocupação com a educação para a cidadania” tida pela Fundação, agradecendo ao júri a selecção e a adesão que o galardão teve, “premiando um trabalho que rasgou horizontes”.

A primeira parte do trabalho vencedor na edição 2020 do Prémio faz uma análise de inventários e edições quinhentistas sobre a circulação de textos do autor grego em Portugal, os instrumentos usados para a sua interpretação e as vicissitudes impostas pela censura inquisitorial. A segunda parte do trabalho examina a versão latina do De Dea Syria de Jorge Coelho, proporcionando uma compreensão mais profunda do uso pedagógico de Luciano.

Os trabalhos submetidos foram avaliados por um júri composto por Vasco Vieira de Almeida, Sócio Fundador da VdA, Miguel Tamen, Director da FLUL, José Pedro Serra, Director da Biblioteca da FLUL, António Feijó, Pró-Reitor da Universidade de Lisboa, e José Gil, filósofo e ensaísta. Na selecção do vencedor, o júri teve em consideração os critérios de qualidade científica, consistência das ideias expostas e do discurso, rigor literário, esforço da investigação revelado e a apresentação dos trabalhos.

O Prémio Professor Francisco Vieira de Almeida, atribuído de dois em dois anos, tem um valor de 20.000 euros, a que se somará a importância máxima de 5.000 euros para as despesas de publicação do trabalho vencedor, obrigatoriamente inédito, pela Imprensa da Universidade de Lisboa.

Texto: Tiago Artilheiro (FLUL-DREI, Núcleo de Imagem e Comunicação)

Fotos: Tiago Artilheiro (FLUL-DREI, Núcleo de Imagem e Comunicação) e Pedro Correa da Silva, Frame You Fotografia/ Fundação Vasco Vieira de Almeida, Direitos Reservados