As árvores são santuários. Quem souber falar com elas, quem as souber escutar, pode aprender a verdade. Elas não dão sermões sobre saber ou preceitos, ensinam antes, além dos particularidades, a antiga lei da vida.
Uma árvore diz: dentro de mim esconde-se a semente, a centelha, o pensamento; sou vida da vida eterna. O empenho e o risco da mãe eterna para comigo são únicos, únicas a forma e as veias da minha pele, único o mínimo jogo das folhas nos meus ramos, a menor cicatriz na minha casca. Fui feita para formar e revelar o eterno em cada mínimo detalhe especial.
Herman Hesse, Bäume
“Em Roda das Árvores” assume um carácter de reflexão sobre a atual crise ecológica, agravada pela desflorestação e pelos fogos na Amazónia e no Ártico.
No contexto da Greve Climática Global, esta performance interroga alguns dos pressupostos ideológicos do Antropoceno, nomeadamente a mercantilização dos seres sencientes de acordo com uma perspetiva utilitária do planeamento urbano; a estratificação do espaço social e os dispositivos institucionais de silenciamento e dominação; a hegemonia da abordagem discursiva da realidade que oblitera outros modos de perceção; a obsessão com a produtividade e a ordem à custa da contemplação e da utopia.
Convidamos, pois, os participantes a sentarem-se em círculos à volta de uma árvore e a respirarem juntos, ligando-se a todas as árvores na Terra. Se gostas de conversar com árvores e acreditas que elas nos podem ensinar algo sobre a vida e o mistério, junta-te a esta performance coletiva.
Performance integrada no congresso "Breaking Boundaries: Academia, Activism and the Arts", (FLUL, 25-27 set. 2019)
Organização e conceção: Diana V. Almeida