Este Colóquio Comparatista de Lisboa sobre a Solidão (Loneliness) tem como objetivo rastrear este tópico nas suas mais diversas manifestações artísticas, desde a época do Romantismo à Era Digital. Nesta última, a solidão é entendida como uma nova “doença das massas”, causadora de sofrimento físico e mental e a causa de morte mais frequente no mundo ocidental (Manfred Spitzer Einsamkeit. Die unerkannte Krankheit, 2018).
No entanto, a noção de solidão não se restringe ao século XXI, sendo possível encontrá-la em quase todas as épocas e formas artísticas. Na tradição de Jean-Jacques Rousseau em Les Rêveries du promeneur solitaire (publicado em 1782), o fenómeno Waldeinsamkeit desenvolve-se como tema literário central através da obra Der blonde Eckbert (1797), de Ludwig Tieck. Nas obras de Friedrich Wilhelm Joseph Schelling, a solidão funciona como um espaço de produção criativa, na qual a distinção entre a mente e a natureza pode ser suspensa. Nos primórdios do século XX, a ideia romântica parcialmente positiva de solidão é substituída pelo abandono existencial, conforme evidencia a expressão de Friedrich Nietzsche “Gott ist tot” ou a noção de “transzendentale Obdachlosigkeit” (“desabrigo transcendental”; Theorie des Romans, 1916) de Georg Lukács.
Além disso, as repercussões da Revolução Industrial encontram expressão numa forma de Darwinismo Social, que corrói os laços sociais e conduz a uma sociedade fragmentada. Os velozes desenvolvimentos tecnológicos e a urbanização criaram novas formas de isolamento na modernidade. Emergem novas formas de solidão para os habitantes da Era Digital, apesar da conectividade mundial e da tendência para a dissolução da esfera privada através das redes sociais.
Organização: Centro de Estudos Comparatistas / Aesthetics of Memory and Emotions (Morphe Group)
Contactos: lisemotions@gmail.com
Programa e mais informações: https://lisemotions.weebly.com/