Édipo, Hamlet e Filoctétes: a autoconsciência como conflito

Édipo, Hamlet e Filoctétes: a autoconsciência como conflito

27 novembro 2024 17:00

Data: 27 de Novembro de 2024 | 17h00

Local: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | Sala B112.C

Organização: Clepsydra

Mais informações: paginastranscendentes@gmail.com | Neste Website

Entrada Livre

clepsydra edipoTeresa Bartolomei é investigadora integrada do CITER – Centro de Investigação em Teologia e Estudos da Religião na Universidade Católica Portuguesa, onde é também professora convidada. Fez o seu mestrado em Filosofia da Linguagem pela Universidade La Sapienza, em Roma, e é doutorada pelo Programa em Teoria da Literatura da Universidade de Lisboa. Tem escrito ensaios vários ensaios sobre ética, religião e literatura, entre eles, Radix Matrix, de 2018.
No dia 27 de novembro, apresentar-nos-á uma conferência intitulada “Édipo, Hamlet e Filoctetes: a autoconsciência como conflito”, que conta com o seguinte resumo:

O Édipo Rei e Filoctetes de Sófocles e o Hamlet shakespeariano serão lidos nesta comunicação à luz de uma pergunta central: há uma diferença epistemológica essencial na compreensão do passado, do presente e do futuro? A resposta, afirmativa, que se pretende argumentar a partir da análise das três peças, é que passado, presente e futuro são cognitivamente constituídos precisamente através das três modalidades hermenêuticas diferentes que regulam racionalmente o seu processamento na experiência humana. Se o presente é objeto de uma compreensão dialógico-comunicativa (em que o sujeito desempenha o papel racional-performativo de ator), o passado é objeto de uma compreensão cénico-narrativa (em que o sujeito assume o papel pragmático de espetador), enquanto o futuro é objeto de uma compreensão cénico-ficcional (em que o sujeito reveste o papel pragmático de potencial autor). As diferentes exigências normativas destas três formas de compreensão e a dialética, por vezes conflituosa e existencialmente destrutiva, que na experiência individual e coletiva caracteriza o seu necessário, mas turbulento cruzamento, serão analisadas a partir das três obras mencionadas, lidas como elaborações exemplares da relação problemática entre o conhecimento do passado e do presente e o seu impacto na construção do futuro. Em Édipo Rei, Hamlet e Filoctetes encontramos uma ilustração insuperável da dificuldade de calibrar a autocompreensão privada e pública entre a reconstrução narrativa da verdade do passado, o envolvimento performativo no presente e a responsabilidade teleológica perante o futuro. A paralisia melancólica de Hamlet (cuja capacidade de participar no presente é destruída pela aprendizagem distorcida da verdade narrativa sobre o passado), a catástrofe identitária de Édipo (cuja autoconsciência presente é desmascarada como cegueira narrativa em relação ao passado), a ferida fétida de Filoctetes (sintoma de uma remoção narrativa do passado que bloqueia o potencial futuro do presente) surgem como poderosas parábolas do conflito temporal em que a autoconsciência de todo o homem e de toda a comunidade se encontra insoluvelmente envolvida.





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