A Academia Perante os Desafios e os Riscos da Inteligência Artificial

A Academia Perante os Desafios e os Riscos da Inteligência Artificial

15 novembro 2023 18:30 - 20:00

Data: 15 de Novembro, 2023 (18h30 às 20h)

Local: Anfiteatro III, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Organização: Comissão de Ética para a Investigação da FLUL

Mais informações: etica@letras.ulisboa.pt

cei out 2023Os rápidos avanços na inteligência artificial (IA) têm provocado um entusiasmo sem limites sobre os benefícios das suas aplicações a problemas centrais da vida das sociedades e do planeta, mas também preocupações crescentes sobre a possibilidade de os sistemas de IA representarem riscos catastróficos para a humanidade tal como a conhecemos.

As visões catastróficas da IA estão bem alegorizadas no conto The Evolution of Human Science. Neste conto, Ted Chiang imagina um mundo em que a investigação científica está exclusivamente a cargo de sistemas de IA, que partilham os resultados numa linguagem inacessível aos seres humanos, condenados a conhecer a evolução do conhecimento em versões traduzidas, quiçá pedagogicamente simplificadas.

Conscientes dos riscos, mas reconhecendo o imenso potencial da IA para o desenvolvimento e a sustentabilidade das sociedades humanas, cientistas e filósofos têm vindo a defender o desenvolvimento de uma IA centrada no ser humano, i.e., o desenvolvimento “de uma investigação, educação, política e uso da IA destinados a melhorar a condição humana” (HAI, Stanford). E para tal, cientistas, decisores políticos e instituições internacionais devem ser pró-ativos na procura de soluções para evitar ou controlar os riscos (Hendryks, Mazeika & Woodside 2023).

Mas seja qual for a nossa posição sobre a avaliação risco/benefício do desenvolvimento da IA, a rapidez com que esta tecnologia tem evoluído já revolucionou o nosso dia a dia, a nossa relação com o trabalho, o lazer, a arte e a ciência. E obriga-nos a formular perguntas “novas” e novas perguntas “velhas” sobre a nossa identidade enquanto cidadãos e enquanto sapiens sapiens:

  • Enquanto academia, como podemos contribuir para garantir a segurança e a ética no desenvolvimento da IA, bem como a segurança e a equidade na sua implantação e uso?
  • Que alterações vêm os sistemas avançados de IA introduzir na forma como ensinamos, aprendemos e avaliamos os conhecimentos?
  • Nas sociedades atuais, caracterizadas simultaneamente por um excesso de informação e por um défice de conhecimento, que mudanças se espera das escolas de Humanidades para que os seus estudantes estejam aptos a pensar de uma forma analítica, a detectar desinformação e a analisar dados de forma quantitativa, ainda que aproximada (Oliveira 2023)?
  • Que soluções poderão as sociedades encontrar para preservar os valores da solidariedade, da dignidade do trabalho e da curiosidade intelectual em cidadãos cada vez mais afastados de atividades produtivas, tornados consumidores passivos, em vez de atores?
  • Poderá a IA aumentar a desigualdade social, por potenciar a criação de dois grupos sociais, (i) o dos detentores dos dados e do conhecimento da sua utilização e (i) o de uma massa de cidadãos com iliteracia digital, sem utilidade económica, e por isso preteridos nos seus direitos à educação, à saúde e a uma vida digna (Harari 2018)?
  • O que há de específico na criatividade que está na origem das produções artísticas e das teorias científicas?
  • As “mentes” digitais poderão vir a ter a consciência (de si) que caracteriza as mentes humanas?

Para debater estas e outras questões, a Comissão de Ética para a Investigação organiza um painel, dia 15 de novembro pp, às 18h30m, no Anfiteatro III, com os seguintes convidados: Arlindo Oliveira (IST/INESC), José Luís Garcia (ICS), Mário Avelar (FLUL).