Data: 23 de Setembro de 2025 | 18h30
Local: Biblioteca Palácio Galveias
Organização: Clube de Leitura Heureka
Mais informações: heurekaclubedeleitura@gmail.com | Website
Entrada Livre
O Heureka – Clube de Leitura retoma os trabalhos com um novo ciclo, de Setembro de 2025 a Junho de 2026, dedicado ao tema Acolher o Outro. O ciclo propõe reflectir sobre o acolhimento, a alteridade e a convivência como práticas éticas atravessadas por relações de poder, desigualdades históricas e tensões de pertença e exclusão.
As sessões realizar-se-ão mensalmente na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa:
Primeira sessão será no dia 23 de Setembro de 2025, às 18h30.
O tema: A Sagrada Hospitalidade: rituais de acolhimento em culturas milenares
Os oradores serão: Ana Alexandra Alves de Sousa (Professora de Estudos Clássicos, Universidade de Lisboa); Deng Yuanying (Investigadora em Estudos Clássicos e Chineses, Centro de Estudos Clássicos, Universidade de Lisboa); Shiv Kumar Singh (Professor de Hindi e Culturas da Índia, Universidade de Lisboa). Organização de Cristina Guerreiro e José Maurício.
Nesta sessão abordar-se-ão os rituais de hospitalidade em diferentes tradições.
Na tradição indiana, a expressão védica atithi devo bhava — “o hóspede é como um deus” — eleva o acto de acolher a um princípio espiritual, integrado no dharma, a ordem moral do mundo.
Na cultura chinesa clássica, os rituais de cortesia regulados pelo lǐ asseguram a harmonia social, enquanto shù — princípio da reciprocidade — estabelece uma ética relacional: não fazer ao outro o que não queremos para nós.
Na Grécia antiga, a xenia não se limita a ser um simples dever social: trata-se de um verdadeiro “contrato” sagrado, protegido por Zeus Xenios. O ritual de hospitalidade compreendia uma série de gestos codificados — oferecer banho e refeição, perguntar pela origem, pela família e pelo destino do viajante, partilhar a mesa e, por fim, conceder presentes ou oferendas. Esse sistema de acolhimento estruturava as relações entre anfitrião e hóspede, assegurando respeito mútuo e confiança. Um dos testemunhos mais antigos deste costume encontra-se na Odisseia, poema homérico em que Ulisses e Telémaco assumem repetidamente a condição de forasteiros em terras alheias, experimentando tanto a generosidade como a violação das regras da hospitalidade.
Colocar estas tradições em diálogo é reconhecer que, em diferentes culturas, a hospitalidade não é apenas uma prática social, mas um gesto carregado de valores éticos, religiosos e políticos: ela define a forma como nos relacionamos com o Outro e, nesse reflexo, como nos reconhecemos e situamos dentro da comunidade humana.