Data: 2 de Maio de 2025 | 18h00
Local: Biblioteca Camões (Largo do Calhariz, n.º 17, 1.º Esq.)
Organização: Clube de leitura Heureka & Centro de Estudos Clássicos
Mais informações: heurekaclubedeleitura@gmail.com | Neste website
Entrada Livre
O clube de leitura Heureka tem o prazer de convidar toda a comunidade académica, e em particular os Professores, Investigadores e Técnicos do Centro de Estudos Clássicos, a participar em Antígona: Desobedecer É Preciso – um evento em comemoração da Liberdade, em formato concebido pela Professora Ana Alexandra Alves de Sousa.
Antígona, de Sófocles, é uma tragédia com mais de dois mil anos que continua a interpelar-nos profundamente. A sua força reside na universalidade das questões que levanta: a tensão entre a lei e a justiça, a obediência e a consciência individual, o poder e a ética. A voz de Antígona ressoa com particular intensidade, lembrando-nos da importância de resistir, de questionar e de pensar criticamente o que é justo.
O evento abre com a declamação de um excerto da tragédia, na tradução de Marta Várzeas. Este momento inicial dará o tom para o debate sobre a actualidade desta obra clássica.
Dois oradores, a partir de perspectivas distintas, aprofundarão os temas centrais da peça e os desafios ético-jurídicos que a peça continua a colocar no nosso tempo.
Marta Isabel de Oliveira Várzeas (Professora da Universidade do Porto), “Quando a letra mata: lei e justiça na Antígona de Sófocles”:
Na Atenas democrática do séc. V a.C., em que a tragédia Antígona foi composta e apresentada a público, a absoluta soberania da lei era motivo de grande orgulho para os Gregos, cuja liberdade contrastava com o modo de vida dos Bárbaros – os Persas, por exemplo, subjugados ao Grande Rei. Não é, porém, um espírito de exaltação pelo regime que percorre a peça de Sófocles. Pelo contrário, ela aponta para os problemas decorrentes de uma espécie de “furor legislativo” que faz tabula rasa dos costumes ancestrais, isto é, da memória comunitária e procura criar uma ordem nova, ambição de muitos governantes recém-chegados ao poder, ontem como hoje, tiranos ou democratas.
António Garcia Pereira (Jurista, Advogado, Professor Universitário e autor de vasta obra nas áreas do direito do trabalho, dos direitos humanos e da justiça social), “O direito e o dever de resistência a ordens ilegais: da Antiguidade dos nossos dias”:
A questão filosófica e até política – mas que é também ética e, em certa medida, jurídica – magistralmente colocada pela peça Antígona, de Sófocles, relativa à desobediência perante leis injustas ou ordens ilegítimas emanadas de poderes absolutos, revela-se, afinal, de uma enorme e incontornável atualidade. Antes de mais, porque é nela que se inspira a moderna problemática do confronto entre a lei vigente (o “Direito Positivo”), emanada do órgão formalmente competente para a produzir, e os grandes princípios, identificados por alguns como pertencentes ao “Direito Natural”, ou aos fundamentos da chamada Constituição material. Mas também porque tal questão remete para o eterno e essencial debate acerca do que deve, afinal, fazer cada ser humano diante de uma lei ou uma ordem que, ainda que formalmente lícita, se revele profundamente injusta.
Na verdade, se, na madrugada de 25 de Abril de 1974, a velha máxima fascista “manda quem pode, obedece quem deve” tivesse sido obedecida, não estaríamos, decerto, aqui hoje...
A moderação do evento estará a cargo do Dr. Carlos Liz, Investigador colaborador do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra e Doutorando sob orientação de professores da Universidade de Coimbra e de Lisboa.
A declamação será protagonizada por Mariana Tapada Marques (Antígona), Beatriz Vashkova (Ismena) e Gil Raposo (Creonte).
Sejam todos muito bem-vindos!