Data: 19 a 22 de Novembro | 10h00 à 20h00
Local: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | Biblioteca Nacional de Portugal
Organização: CLEPUL
Mais informações: Neste site.
Ao longo do tempo, várias têm sido as interpretações do conceito de Modernidade e as tentativas de
determinar qual o escopo que lhe serve de ponto de partida e de que modo o termo e os seus sentidos se
relacionam com a realidade europeia e ocidental ou a transcendem. Têm sido considerados, para a descrição e
o enquadramento do conceito, momentos marcantes como o início da Expansão Europeia, a Revolução
Francesa, o momento da Revolução Industrial, o contexto conceptual pós-baudelairiano ou o panorama vasto
dos Modernismos e das Vanguardas das primeiras décadas do século XX.
Este Congresso, no âmbito do Projeto Exploratório FCT Surrealismo-Abjeccionismo em Portugal. Da folha volante ao mundo digital (2023.14574.PEX), procura inscrever esse debate no contexto de um outro núcleo de debates com grande tradição histórica e com
grande atualidade crítica, o do contraponto entre diferentes regimes totalitários, e respetivos regimes censórios
e procedimentos de controlo dos mecanismos de produção cultural e o plano da criação literária e artística
clandestina ou, pelo menos, paralela aos paradigmas edificados e difundidos pela instituição literária oficial. O
debate que pretendemos levar a cabo neste encontro tem como espaço privilegiado o das literaturas em língua
portuguesa, podendo, contudo, abranger outros contextos geográficos nos quais se possam evidenciar ecos
significativos das duas grandes interrogações que pretendemos submeter a debate:
- De que modo a Modernidade, em todas as etapas da sua edificação, se foi experienciando e
manifestando em contextos peculiares como o dos países de expressão portuguesa, atendendo à
persistência de regimes de censura ao longo de todo esse percurso?
- Derivando disso, de que modo se foram configurando estratégias singulares e especificidades
criativas e materiais para a equação de conceitos nucleares como os de autor, de obra literária, de edição,
de meio literário, de grupos e gerações literárias e de liberdade de expressão, assim como através de
que estruturas e dinamismos se deu a circulação das publicações individuais e coletivas?
Este Congresso pretende discutir estes problemas a partir de dois termos que visam descrever a tensão
continuada que se viveu ao longo dos vários momentos da Modernidade, no panorama plural das literaturas
de expressão portuguesa: a Modernidade Vigiada, correspondendo aos regimes de censura e aos processos deÂÂÂ controlo do pensamento e das produções intelectuais e criativas; e a Modernidade Clandestina, definindo asÂÂÂ estratégias de diálogo com a realidade europeia e mundial mais vasta, apesar da repressão e dos bloqueios, eÂÂÂ os modos assumidos pelo estatuto autoral, pelo imaginário grupal e pelos métodos de produção, edição eÂÂÂ circulação das obras literárias, muitas vezes de modo anónimo, propositadamente coletivo ou clandestino.