Data: 15 de Maio de 2025 | 17h00
Local: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa | Anfiteatro III
Organização: Ciclo Kínēma: Clássicos em Movimento
Filme: Medea (1969), de Pier Paolo Pasolini
Obra clássica de referência: Medeia de Eurípides
Mais informações: aqui
Entrada livre
O clube de leitura Heureka tem o prazer de convidar toda a comunidade académica, e em particular os Professores, Investigadores, Técnicos e Alunos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a participar na próxima sessão do Ciclo Kínēma.
Medea (1969), realizado por Pier Paolo Pasolini, é um clássico do cinema italiano baseado na tragédia Medeia, de Eurípides. O filme é protagonizado por Maria Callas, a lendária cantora de ópera, que faz aqui a sua única incursão cinematográfica, e por Giuseppe Gentile.
Na tentativa de recuperar o trono do seu pai, Jasão (Giuseppe Gentile) parte para a longínqua Cólquida em busca do mítico Velo de Ouro. No decorrer da sua jornada, o herói encontra-se com Medeia (Maria Callas), mulher poderosa e enigmática que o acompanha no regresso à Grécia. Este encontro amoroso acaba por resultar numa infeliz viragem no destino de ambos. Em Corinto, onde o par se estabelece, Medeia é tratada como estrangeira indesejada e acaba traída por Jasão, que renega o laço que os unia para desposar Glauce (Margareth Clémenti), filha do rei Creonte (Massimo Girotti). Ferida no orgulho e no coração, Medeia transforma a dor em força destrutiva e maquina uma vingança implacável contra todos os que a desprezaram.
A Medea de Pasolini não é uma mera adaptação da peça grega. Oferece-nos uma leitura profundamente simbólica e crítica da civilização ocidental por via do choque entre dois mundos: um mundo civilizado e racional, representado por Jasão e pela Grécia, e um mundo natural e espiritual, representado por Medeia e pela Cólquida. A estética cinematográfica alterna entre o misticismo ritual e o realismo austero – como a representação de Quíron ora como centauro, ora como humano exemplifica – expondo assim um espaço de tensão constante entre razão e instinto, entre progresso e humanidade. É esta diferença que está na base da tragédia euripidiana e do filme a exibir: através da figura de Medeia, Pasolini dá voz ao que é ancestral e marginalizado, oprimido pelo discurso racional da civilização helénica.
A sessão começará com uma apresentação da Medeia de Eurípides pelo Professor José Pedro Serra, Professor Catedrático no Departamento de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Diretor da Biblioteca da mesma Faculdade e investigador no Centro de Estudos Clássicos, onde coordena iniciativas relacionadas com a cultura grega e a sua recepção na cultura europeia.