José Alberto Osório de Almeida Mateus (Viseu, 1940–1996) foi uma figura decisiva na institucionalização dos Estudos de Teatro em Portugal. Formado em Filologia Românica pela Universidade de Coimbra, iniciou actividade como professor e animador teatral, encenando O Meu Caso (1963) e O Fidalgo Aprendiz (1967). Após formação em França com Roland Barthes, integrou a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde criou, em 1980–81, o primeiro curso universitário de História do Teatro e, mais tarde, o pioneiro Curso de Especialização em Estudos de Teatro. Investigador, crítico, tradutor e encenador, desenvolveu projectos estruturantes como OPSIS e HTP online, articulando teatro, arquivo e imagem.
O seu espólio, doado à Faculdade de Letras em 1996, constitui um dos maiores acervos nacionais de Teatro e Artes do Espectáculo: mais de 15 000 espécies bibliográficas dos séculos XVIII a XXI, 1000 programas, 300 periódicos e um vasto conjunto iconográfico. Organizado por locais de edição e autores‑chave, inclui secções especializadas como a Vicentina e a Braga. A raridade e diversidade das obras fazem do Acervo Osório Mateus um instrumento indispensável para investigadores, estudantes e profissionais.
Os livros antigos e raros da doação foram objecto de um projecto de conservação, digitalização e difusão e estão, na sua maioria, disponíveis para consulta online através do Catálogo Colectivo da Universidade de Lisboa.
Espólio Osório Mateus
O espólio Osório Mateus é constituído por um fundo bibliográfico com mais de 15000 espécies dos séculos XVIII a XXI, que incluem peças de teatro e estudos sobre teatro em edições de todo o mundo, maioritariamente portuguesas, espanholas, inglesas e francesas. Possui ainda 1000 programas de espectáculos e 300 periódicos de teatro portugueses e estrangeiros e um conjunto importante de imagens de teatro em diferentes suportes (gravura, litografia, fotografia, entre outros). Pertenceu ao professor e encenador Osório Mateus que o doou à Faculdade de Letras em 1996, data da sua morte.

Este fundo possui um dos maiores acervos bibliográficos e iconográficos de Teatro e Artes do Espectáculo do país - para além de materiais de carácter documental (memorabilia) coleccionados pelo seu proprietário - e tem por objectivo fundamental responder às necessidades de estudo e investigação de utilizadores nacionais e estrangeiros interessados nesta área do saber. Organizado espacialmente por locais de edição (Portugal, França, Espanha, Itália, Reino Unido, Estados Unidos da América, Brasil, América latina, outros países), as suas cotas reflectem essa original forma de classificação, pois a cada conjunto foi dado o nome de um autor representativo (Garrett, Musset, Lope, Goldoni, Shakespeare, Williams, Cossa, Brecht, Anchieta).
Depois da morte de Osório Mateus, e aquando da transferência do espólio para a Faculdade de Letras, foi criada uma secção chamada Vicentina, justificada pela riqueza de obras existentes no fundo que reúne seguramente todas as edições dos autos e os mais importantes estudos sobre Gil Vicente, autor de que Osório Mateus foi reconhecido especialista. Da mesma forma as obras de referência (dicionários, enciclopédias etc.) foram classificadas sob a designação Braga (do nome do primeiro historiador do teatro português). Cada conjunto obedece, em seguida, a uma segunda repartição em Peças e Não peças. Não dispondo de um catálogo era, deste modo, geograficamente fácil ao seu proprietário aceder a um título ou escolher a edição que melhor servia os objectivos da investigação. Nas cotas que o leitor hoje encontra no catálogo bibliográfico está reflectido este modo de organização.
A raridade de muitas espécies e a diversidade das áreas que abarcam dentro das artes do espectáculo (dramaturgia, crítica, teoria e estética teatral, sociologia do espectáculo, iconografia, história do teatro, antropologia, teatro e outras artes) tornam este acervo um instrumento indispensável para investigadores e artistas. É por isso assiduamente frequentado por estudantes, professores, profissionais do espectáculo e investigadores nacionais e estrangeiros. O facto de ser possível aceder ao catálogo bibliográfico através da Internet faz com que a sua vocação inicial – contribuir para a construção da história do teatro em Portugal – prossiga de acordo com o que foi o pensamento e a prática de Osório Mateus. Servirá também para dinamizar a área de estudos artísticos na Universidade de Lisboa, na qual pontuam cursos que vão da licenciatura ao pós-doutoramento. Na verdade, é justo afirmar que para qualquer pesquisa sobre qualquer área das artes do espectáculo o estudioso encontra no Arquivo Osório Mateus obras de referência de indiscutível importância.

A informatização do catálogo foi feita em 2002, tendo os registos sido convertidos, num primeiro momento, para o software documental Aleph e, recentemente, para o software de gestão documental Koha, visando a integração no Catálogo Colectivo da Universidade de Lisboa. A campanha de digitalização decorreu nas instalações da Biblioteca da FLUL e produziu 81009 imagens, correspondentes a 6360 páginas de periódicos encadernados (formato A4 e superior) e a 74649 páginas de monografias (formatos A4, A5 e A6). A captura digital das imagens fez-se através de scanners planetários equipados com compensador de lombadas.
Depois de previamente definidos os critérios de pertinência do material a digitalizar - raridade e estado de conservação das espécies, inexistência de cópias digitais conhecidas e domínio público das obras em causa -, e desenvolvidas as pesquisas necessárias por forma a evitar duplicação de reproduções digitais, o processo avançou após a realização de testes de aceitação provisória das imagens, obedecendo a requisitos técnicos ditados pelas boas práticas de digitalização comummente definidas e aceites neste domínio. A captura digital das imagens fez-se através de scanners planetários equipados com compensador de lombadas.
É agora possível aceder através da Internet ao catálogo bibliográfico e a uma biblioteca digital de teatro (peças dos séculos XVIII e XIX e periódicos dos inícios do século XX), preparados com o apoio financeiro do Programa Operacional de Cultura. Cumpre-se assim o objectivo de assegurar a preservação de espécies raras sem inviabilizar a consulta, da mesma forma que a pesquisa no catálogo visa, como se disse, incrementar o conhecimento deste fundo e incentivar o estudo das artes do espectáculo.
O Arquivo pretende ser mais do que um instrumento ao dispor dos investigadores e artistas. A raridade de muitas espécies e a diversidade das áreas que abarcam no vasto campo das artes do espectáculo (crítica, teoria, história, sociologia, antropologia, iconografia, artes visuais) tornam o seu acervo particularmente importante para a comunidade científica. É assiduamente frequentado por estudantes, professores, profissionais do espectáculo e investigadores nacionais e estrangeiros que o encontram referenciado na página web do Centro de Estudos de Teatro (http://www.fl.ul.pt/centros_invst/teatro/pagina/programa/osorio_mateus.htm ).