Espólios e Doações

 

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Fiama Hasse Pais Brandão (Lisboa, 1938 – 2007) foi uma premiada dramaturga, tradutora, ensaísta e poetisa portuguesa. Frequentou o colégio St. Julian's School, em Carcavelos, e, mais tarde, o curso de Filologia Germânica da Universidade de Lisboa. Começou a ganhar notoriedade com a obra Morfismos, no âmbito da iniciativa Poesia 61. Fez crítica de teatro, estagiou no Teatro Experimental do Porto (1964) e foi, com Gastão Cruz — com quem viria a casar — e outros, fundadora do grupo Teatro Hoje (1974). As suas peças A Campanha, O Golpe de Estado e Auto da Família foram censuradas pela PIDE.

Além da sua produção literária, exerceu também actividade de investigação na área da linguística, assim como pesquisa histórica e literária sobre o século XVI em Portugal. Da sua produção ensaística destaca‑se O Labirinto Camoniano e Outros Labirintos (1985), obra sobre a influência cabalística em diversos autores portugueses dos séculos XVI a XVIII. Traduziu vários autores, como Bertolt Brecht, Antonin Artaud, Novalis e Anton Tchékhov, e colaborou em revistas literárias como Seara Nova, Cadernos do Meio‑Dia e Vértice, entre outras.

Recebeu vários prémios ao longo da sua vida, entre os quais o Prémio Adolfo Casais Monteiro, com a obra Em Cada Pedra Um Voo Imóvel (1957); o Prémio Revelação de Teatro, com Os Chapéus de Chuva, em 1961; o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, em 1996, e, no mesmo ano, o Prémio D. Dinis, da Fundação Casa de Mateus, com ‘Epístolas e Memorandos; e o Prémio Literário do P.E.N. Clube Português, em 2001, com Cenas Vivas.

O arquivo pessoal da autora, que inclui, entre outros documentos, manuscritos, alguns de textos inéditos, correspondência, fotografias e recortes de imprensa, chegou à FLUL por compra e está ao cuidado da Biblioteca desde 2015. O Instrumento de Descrição Documental (IDD) dedicado do Fundo Fiama Hasse Pais Brandão encontra-se disponível para consulta no website da Biblioteca.

 

 

 

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Victor Manuel Santos Gonçalves (1946–2024) foi arqueólogo, investigador e professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, de que era Professor Emérito jubilado desde 2016. Licenciou‑se em História em 1970, na FLUL, com a tese O Castro da Rotura e o vaso campaniforme. Em 1989 obteve o seu doutoramento, na mesma Faculdade, com a tese Megalitismo e metalurgia no Alto Algarve Oriental.

A sua obra foi sobretudo dedicada ao estudo da Pré‑História na Península Ibérica, do Neolítico, Calcolítico e Megalitismo do Centro e Sul de Portugal, área em que foi referência maior, propondo modelos estruturantes para as antigas sociedades camponesas. Trabalhou no Alentejo, no Algarve e na Estremadura, dirigindo numerosas intervenções arqueológicas e publicando vasta bibliografia — incluindo livros, capítulos e mais de duzentos artigos.

Foi professor na Universidade de Luanda, em Angola, entre 1970 e 1972. Docente da FLUL entre 1973 e 2016, destacou‑se no ensino superior da Arqueologia, coordenando durante várias décadas todos os graus desta área de estudo e orientando diversos mestrados e doutoramentos. Fundou o UNIARQ – Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa, que dirigiu entre 1994 e 2016, organizando também importantes colóquios internacionais e colaborando na curadoria de exposições.

Em 2019 recebeu o Prémio “Prof. Doutor Pedro da Cunha e Serra”, atribuído pela Academia Portuguesa da História.

O seu espólio bibliográfico foi doado em 2024 à Biblioteca da FLUL.

 

 

 

 

[Imagem: Por Septimio2463 - Obra do próprio, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=117977965]

 

Maria Luísa Ferrer Dias (1940-2015) foi uma arqueóloga portuguesa com contributos para o estudo da cerâmica romana, em particular da terra sigillata, e para escavações em locais como a Necrópole de Santo André, Alcácer do Sal e a Ilha do Pessegueiro (Costa Vicentina), com produção científica no âmbito da arqueologia romana. Licenciada em Filologia Germânica pela FLUL em 1965, desenvolveu posteriormente o gosto pela Arqueologia, tendo realizado escavações em Portugal, Itália e Chipre. O seu nome encontra‑se associado ao crescimento de direcções científicas femininas na arqueologia portuguesa nas décadas de 1970 e 1980, no trabalho de campo, investigação e publicação, de que são exemplo as escavações nas termas da Villa Romana da Tourega (Évora), que dirigiu entre 1984 e 1987.

Entre os seus trabalhos publicados contam‑se:

  • A necrópole de Santo André
  • Necrópole lusitano‑romana com incinerações de Monte Sardinha (S. Francisco da Serra)
  • “Terra sigillata” de Miróbriga (conservada no Museu Municipal de Santiago do Cacém)
  • As marcas de ‘Terra Sigillata’ do castelo de Alcácer do Sal
  • Escavações arqueológicas no castelo de Alcácer do Sal (campanha de 1979)
  • Trabalhos arqueológicos na Ilha do Pessegueiro (1980)

Colaborou ainda na revista Arqueologia e História da Associação dos Arqueólogos Portugueses e participou com um artigo em Descobertas arqueológicas no sul de Portugal.

Os mais de 900 registos que resultaram da sua doação, chegada à Biblioteca em 2013, encontram-se disponíveis no catálogo colectivo da UL.

 

 

 

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João Carlos de Freitas de Senna‑Martinez (1948‑2022) foi um arqueólogo e professor universitário português, referência nos estudos da Pré‑História e da Arqueologia da Península Ibérica e de África.

Realizou uma parte da sua formação e dos seus primeiros trabalhos em Moçambique, então sob administração portuguesa. Foi bacharel em História pela Universidade Eduardo Mondlane (Maputo), em Moçambique (1975), e licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1979. Doutorou‑se pela mesma Faculdade em Arqueologia e Pré‑História, com a tese Pré‑história recente da bacia do Médio e Alto Mondego: algumas contribuições para um modelo sociocultural (1990).

A sua actividade académica e profissional centrou‑se sobretudo no estudo do megalitismo, do Neolítico, do Calcolítico e da Idade do Bronze da Beira Alta, de Trás‑os‑Montes e da Estremadura, bem como no estudo da arqueologia colonial portuguesa. A investigação evoluiu igualmente para a metalurgia antiga, do Calcolítico ao período Orientalizante, com especial atenção às regiões interiores.

Desenvolveu uma longa carreira académica na FLUL, onde foi docente do Departamento de História entre 1979 e 2012, atingindo a categoria de Professor Associado, e manteve‑se activo como investigador do UNIARQ após a aposentação. Destacou‑se ainda pela intensa actividade cívica, pela dinamização da Secção de Arqueologia da Sociedade de Geografia de Lisboa e pelo empenho no Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia.

Em 2022, o seu espólio bibliográfico foi doado à Biblioteca da FLUL.

 

 

 

 

[Imagem: By Unknown - [1], Fair use, https://en.wikipedia.org/w/index.php?curid=83399761]

Legado Leite de Vasconcelos na Biblioteca da Faculdade de Letras

 

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"Este velho magro e meão, de sobrecenho carregado, panamá amarelido, terno de linho caseiro e guarda-sol de pano alvadio no braço, que no Verão alfacinha irrompia da Rua de Ivens para o Largo da Biblioteca, a consultar os «reservados», ou da Rua da Betesga para as tendas da Praça da Figueira, a regatear um punhado de fruta do tempo sem perder de ouvido os ditos das colarejas e os «arres!» dos saloios de burrico – chamava-se Leite de Vasconcelos." 

NEMÉSIO, Vitorino - Leite de Vasconcelos. In UNIVERSIDADE DE LISBOA. Faculdade de Letras (1960) - José Leite de Vasconcellos: livro do centenário (1858-1958). Lisboa: Imprensa Nacional, p.101.

 

 

 

 

 

 

004A Biblioteca da Faculdade de Letras alberga a coleção conhecida por Legado de Leite de Vasconcelos, formada por duas componentes: uma Biblioteca de Linguística e Literatura e um Fundo manuscrito.

A Biblioteca é proveniente da antiga biblioteca de Leite de Vasconcelos, que deixou em testamento à Faculdade de Letras, de que foi professor entre 1911 e 1929, os seus livros das disciplinas filológicas. Entre eles, muitos são exemplares únicos no país e bastantes foram enriquecidos pela mão do proprietário com anotações marginais e manuscritos inseridos. 

 

O Fundo é um típico espólio literário, constituído por autógrafos (apontamentos soltos ou originais redigidos, que formam o antetexto de obras de Leite) e por materiais de muitas proveniências, reunidos e organizados por Leite para fins de documentação dos seus trabalhos. Este fundo foi reunido por Orlando Ribeiro no Centro de Estudos Geográficos, onde dirigiu a edição póstuma das obras de Leite de Vasconcelos. Os originais dessas obras figuram igualmente no fundo, que o Centro de Estudos Geográficos depositou na Biblioteca da Faculdade.

 

A parcela da herança de Leite de Vasconcelos que forma o Legado da Biblioteca da Faculdade de Letras é complementada por outra parcela, que foi legada ao Museu Nacional de Arqueologia, fundado por Leite em 1893 e por ele dirigido até 1929. Aí se encontram os seus livros das especialidades não-filológicas, um espólio manuscrito mais extenso mas de estrutura análoga (os originais de certas obras estão repartidos entre as duas instituições), a correspondência recebida por Leite (a emitida acha-se dispersa pelo mundo, ou desaparecida) e os seus documentos pessoais.

 

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002Na Biblioteca da Faculdade de Letras, os livros e os manuscritos do Legado estão em vias de tratamento com vista a serem disponibilizados a investigadores e estudantes. Este site exibe instrumentos destinados a facilitar a pesquisa no espólio manuscrito: o respectivo inventário, um índice temático, um roteiro de pesquisa e ainda a reprodução digital de algumas secções. Quanto à biblioteca, que pode ser consultada em regime de reserva, será progressivamente disponibilizada a reprodução digital de livros.

Arquivo de Leite de Vasconcelos 

Roteiro do Espólio  ǀ  Índice Temático  ǀ  Correspondência passiva

Biblioteca de Leite de Vasconcelos

Exemplares digitalizados  ǀ  Estudos sobre a biblioteca de Leite de Vasconcelos

 


Publicações leitianas:


- A  correspondência trocada entre Leite de Vasconcelos e o linguista alemão Hugo Schuchardt ao longo de 44 anos foi publicada pela Universidade de Bamberg: Hugo Schuchardt/José Leite de Vasconcelos (2015) – Correspondência. Edição, tradução e notas de Ivo Castro e Enrique Rodrigues-Moura. Bamberg: University of Bamberg Press

- O Dicionário de Regionalismos e Arcaísmos, última obra póstuma de Leite de Vasconcelos, foi editado em 2017 por Ivo Castro, João Paulo Silvestre e colaboradores, no site do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa

 

 

 

 

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Luís Miguel Nava (Viseu, 1957 - Bruxelas, 1995), considerado uma das revelações da poesia portuguesa nos anos 80 do século XX, publicou a sua primeira obra, O Perdão da Puberdade, em 1974. Em 1978 recebeu o Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores com o livro Películas, publicado no ano seguinte. Licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde foi assistente até 1983, ano em que parte para Oxford com funções de Leitor de português. Muda-se para Bruxelas em 1986, trabalhando como tradutor da CEE (Comunidade Económica Europeia).

É autor de uma obra poética singular de que Rebentação (1984) e Vulcão (1994) são exemplo e de diversos ensaios como O Pão, a Culpa, a Escrita e Outros Textos (1982) e O Essencial sobre Eugénio de Andrade (1987).

Faleceu no dia 10 de maio de 1995, em Bruxelas, Bélgica, vítima de assassinato. Cumprindo a vontade deixada no seu testamento, foi criada em 1997 a Fundação Luís Miguel Nava, com o propósito de publicar uma revista de poesia (Relâmpago) e atribuir um prémio destinado a galardoar uma obra poética representativa.

 

 

 

 

 

 

[Fotografia: Por Tochigui - Obra do próprio, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=68590978]