Espólios e Doações

Na Biblioteca da Faculdade de Letras, os livros e os manuscritos do Legado José Leite de Vasconcellos estão em vias de tratamento com vista a serem disponibilizados a investigadores e estudantes. A biblioteca, que pode ser consultada em regime de reserva, será progressivamente disponibilizada através da reprodução digital de livros, alguns deles já disponíveis na Biblioteca Digital da Faculdade de Letras:

 

CARDOSO, Jerónimo, 1508-1569

[Hieron. Cardosi. ... Dictionarium latino-lusitanicum ...]. - [Conimbricae : apud Ioannem Barrerium, 1569]. - F. +3-65 ; 4º (13 cm)

CARDOSO, Jerónimo, 1508-1569

Dictionarium latino lusitanicum et vice versa lusitanico latinu[m] : cum adagiorum feré omnium iuxta seriem alphabeticam perutili expositione ... / per Hieronymum Cardosum Lusitanum congesta ; recognita vero omnia per Sebast. Stokhamerum Germanum. Qui libellum etiam de propriis nominibus regionum, populorum, illustrium virorum ... adiecit. - Adhuc noui huic ultimae impressioni adjuncti sunt varij loquendi modi ex praecipuis auctoribus decerpti praesertim ex Marco Tullio Cicerone. - Conimbricae : excussit Joan. Barrerius, 20 Iulij 1570. - [4], 172 [i.e. 272], 84, [12], [54] f. ; 4º (21 cm)


CASAS, Cristobal de las, ?-1576

Vocabulario de las do[s] lenguas toscana y castellana : en que se contiene la declaracion de toscan[o en castel]lano, y de castellano en toscano, en d[os partes] / de Christoual de las Cas[as] ; et accresciuto da Camillo Camilli di [molti vocaboli,] che non erano nella prima imp[ressione], con vna introducion para leer, y pronun[ciar bien entram]bas lenguas. - En Venetia : Vendese en casa de Damian Zenaro mercader de libros : [impresso ... en casa di Paulo Zanfretti, a instantia di Damiano Zenaro, mercader de libros], 1582. - [48], 437, [1] p. ; 8º (17 cm)


CATULLUS, Caius Valerius, 84?-54? a.C.

Catullus cum commentario Achillis Statii Lusitani. - Venetiis : in aedibus Manutianis, 1566. - 415, [6] p. ; 8º (16 cm)


MARCH, Ausias, 1397?-1459

Las obras del poeta mosen Ausias March corregidas de los errores que tenian : sale con ellas el vocabulario de los vocablos en ellas contenidos ... / [compuesto por Ioan de Resa ...]. - Impresso en Valladolid : [en casa de Sebastia[n] Martinez, 20 Febrero] 1555. - 276 f. ; 8º (15 cm)


SUÁREZ, Cipriano, 1524-1593, S.J.

De arte rhetorica libri tres ex Aristotele, Cicerone & Quintiliano praecipue deprompti / authore Cypriano Soarez .... - Conimbircae [sic] : apud Ioannem Barrerium, 1562. - [6], 116, [10] f. ; 4º (20 cm)


TEIVE, Diogo de, ca. 1514-ca. 1565

Iacobi Teuij Bracarensis opuscula aliquot in laudem Ioannis Tertij Lusitaniae Regis, et principis eius filij, & fratris Ludouici, atque item Sebastiani primi Regis eiusdem nepotis .... - Salmanticae : excudebant haeredes Ioannis à Iunta Floren., 1558. - [8], 143 f. ; 8º (14 cm)

 

O Teatro da Cornucópia foi fundado em 1973 por Jorge Silva Melo e Luis Miguel Cintra, oriundos do teatro universitário, com um grupo de actores profissionais. Até 1974 funcionou sem sede e recebeu apoios pontuais da Fundação Gulbenkian. O programa inicial incidiu em Molière e Marivaux devido à censura. Após 1974 passou a privilegiar dramaturgia contemporânea.

Entre 1974 e 1977 apresentou Brecht, Gorki, Jourdheuil/Chartreux, Horváth, Büchner, Kroetz e Michel Deutsch. Em 1975 contou com colaboração de Jean Jourdheuil e integrou Cristina Reis, que partilhou a direcção com Cintra a partir de 1980. A companhia organizou ciclos temáticos, incluindo um dedicado ao cómico.

Em 1983 iniciou o ciclo O Mal Estar do Nosso Tempo. Em 1984 participou no XXXII Festival Internacional de Teatro da Bienal de Veneza com A Missão de Heiner Müller. Após 1985 apresentou Shakespeare, Strindberg e Edward Bond. 

Explorou o teatro como representação da vida com autores de várias épocas e abordou temas políticos com textos clássicos e contemporâneos. Encenou clássicos de diferentes períodos e, desde 1990, dramaturgos do século XX. Criou espectáculos a partir de textos não teatrais, convidou encenadores estrangeiros e apoiou jovens criadores, desenvolvendo actividades com escolas e apoiando o nascimento do Teatro da Cidade em 2016.

Acolheu actividades paralelas e publicou os Textos de Apoio. Trabalhou no Teatro do Bairro Alto desde 1975, renovado em 1986/87. Fez digressões nacionais e apresentou espectáculos no estrangeiro, incluindo Bruxelas, Udine e Paris. Realizou co‑produções com teatros nacionais e estreou textos de Sophia de Mello Breyner Andresen, Edward Bond e José Tolentino Mendonça.

A Cornucópia encerrou as portas em 2016, tendo o seu espólio sido doado à Biblioteca da FLUL. É composto sobretudo por documentação de arquivo de diversa tipologia e formatos, desde cartazes, programas, cassetes VHS com a gravação de várias peças e ensaios da companhia, entre outros documentos associados ao trabalho da Companhia.

Projecto Memória em Movimento: Salvaguarda do Património Audiovisual do Teatro da Cornucópia

A Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa viu aprovada, pelo segundo ano consecutivo, a sua candidatura ao programa Iberarquivos 2025, com o projecto Memória em Movimento: Salvaguarda do Património Audiovisual do Teatro da Cornucópia.
O Iberarquivos é um dos mais antigos programas de cooperação Ibero-americana, e tem por missão promover o acesso, o tratamento, a conservação e a difusão do património arquivístico do Espaço Cultural Ibero-americano.
O arquivo do Teatro da Cornucópia, doado por Cristina Reis e Luís Miguel Cintra, após a extinção da companhia, foi integrado no fundo documental da Biblioteca da FLUL, em 2018, através do Centro de Estudos de Teatro.
Fundado em Lisboa por Jorge Silva Melo e Luís Miguel Cintra, o Teatro da Cornucópia afirmou-se como uma das mais importantes companhias do teatro português contemporâneo, desempenhando um papel central na renovação do teatro em Portugal e na formação de várias gerações de públicos e profissionais. O seu arquivo constitui, por isso, uma fonte incontornável para o estudo da história do teatro português, das suas práticas artísticas, da sua relação com o contexto político e cultural, bem como da sua projeção nacional e internacional.
O financiamento agora atribuído permitirá avançar com a transferência de suporte do material audiovisual, uma intervenção considerada prioritária para a preservação de um conjunto documental de reconhecido valor histórico, artístico e patrimonial. O projeto segue orientações técnicas e metodológicas internacionalmente reconhecidas no domínio da preservação audiovisual e da preservação digital.
Com esta iniciativa, reforça-se a salvaguarda de um património excecional, assegurando a sua preservação, estudo e futura acessibilidade.

 

 

vg

Autodidacta e com múltiplos interesses culturais ao longo da vida, Vasco Granja nasceu em Campo de Ourique (Lisboa) a 10 de Julho de 1925. Começou a trabalhar, muito jovem, nos Grandes Armazéns do Chiado. O seu interesse pela fotografia e pelo cinema surge na adolescência. No início da década de 50 envolve-se no movimento cineclubista, que foi, nas suas palavras, a sua «segunda universidade». Granja foi preso pela primeira vez pela polícia política do Estado Novo em Novembro de 1954, quando militava clandestinamente no PCP. Esteve preso sem julgamento seis meses e quando foi libertado voltou às suas actividades cineclubísticas e à divulgação cultural na imprensa. Datam de 1958 os seus primeiros artigos sobre o cinema de animação. No início da década de 60 começa a trabalhar na Livraria Bertrand, onde permaneceu cerca de 30 anos. É preso novamente em 1963, julgado e condenado a 18 meses de prisão. Quando foi libertado, em 1965,  retoma a sua actividade cultural, com artigos nos media sobre cinema e literatura.

Vasco Granja fez parte do núcleo fundador da revista francesa de banda desenhada Phénix e, em 1968, integra a equipa que fez a edição portuguesa da ”revista dos jovens dos 7 aos 77 anos em Portugal”, Tintin, escrevendo e traduzindo artigos. Foi director da segunda série da edição portuguesa da revista Spirou, e coordenou o sector da edição de banda desenhada da Bertrand. Participou com regularidade em salões nacionais e internacionais de BD e de cinema de animação.
Entre 1974 e 1990, manteve programas sobre cinema de animação na RTP que contaram com mais de mil emissões. Com os seus Imagem e Imagens, Cinema de Animação ou Filmes para Todos, Granja divertiu miúdos e graúdos com apresentações de cartoons e séries tais como: "Droopy", "Bugs Bunny", "Mickey Mouse", "O Lápis Mágico”, “Professor Balthazar”, "Tom e Jerry" e "Pantera Cor de Rosa", da qual ganhou a alcunha que o tornou conhecido entre os portugueses: O Pai da Pantera Cor de Rosa. Em igual medida animador e pedagogo, os seus programas estimularam a imaginação dos espectadores reunindo animação de diversas técnicas e proveniências, como a produzida na Europa Central e URSS, lançando o “mistério” entre as crianças sobre o que significaria a palavra “koniec”.

A Biblioteca da FLUL foi a instituição eleita por Cecília Granja, sua filha, para acolher parte do espólio pessoal desta figura maior da banda desenhada e do cinema de animação em Portugal. Além de cerca de 2300 livros que versam sobre os seus inúmeros interesses, integra numerosos documentos de trabalho, correspondência, recortes de imprensa, panfletos, cartazes, excertos e pranchas de banda desenhada (termo que, aliás, introduziu em Portugal), cassetes VHS, bobinas, entre outros. 
De militante comunista preso pela PIDE a divulgador incansável do cinema de animação, de cultura e das artes, Vasco Granja deixou uma marca indelével na cultura portuguesa e o seu rosto é conhecido e reconhecido por mais de uma geração de portugueses.

KONIEC

 

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David Mourão-Ferreira, poeta do amor e da sensualidade, iniciou a sua carreira literária em 1942, com artigos no jornal Gente Moça, e publicou os primeiros poemas na revista Seara Nova em 1945. Entre 1948 e 1951, colaborou como autor e actor no Teatro-Estúdio do Salitre, sob direcção de Gino Saviotti, onde foram encenadas as peças Isolda e Contrabando. Em 1950, fundou com Couto Viana e Luís de Macedo a revista Távola Redonda, onde publicou o seu primeiro livro de poesia, A Secreta Viagem. Foi um dos principais teorizadores do projecto, defendendo a conciliação entre tradição e modernidade, demarcando-se do neorrealismo e revalorizando o lirismo e a construção rigorosa, o que virá a estar plasmado na sua Obra.

A sua poesia destaca-se pela musicalidade, domínio técnico e simbologia numerológica, com reordenações em círculos e ciclos intertextuais. O uso de metáforas, aliterações, antíteses e paradoxos confere-lhe um estilo singular, de recorte clássico mas marcadamente pessoal. A sua obra articula-se como um sistema de vasos comunicantes, com elementos que transitam entre poesia e prosa, subvertendo a linearidade narrativa. Embora o erotismo seja um tema recorrente, a sua obra abrange também a memória, a morte e o culto dos lugares. A angústia existencial e o desejo de eternidade atravessam os seus textos, onde o sujeito ama para existir e ciclicamente se dissolve para renascer. Poeta da cultura europeia, utilizador sensorial da palavra, alguns títulos do seu corpus em verso: Os Quatro Cantos do Tempo (1958), Do Tempo ao Coração (1966), A Arte de Amar (antologia, 1967), Matura Idade (1973) ou O Corpo Iluminado (1987).

Na ficção destacam-se: Gaivotas em Terra (1959), Os Amantes e Outros Contos (1974) e As Quatro Estações (1980). Com 11 reedições num período de 10 anos, o romance Um Amor Feliz (1986) marcou uma viragem na sua recepção pública, sendo adaptado à televisão por Artur Ramos. Já antes, duas narrativas de Gaivotas em Terra haviam sido adaptadas ao cinema. É ainda de mencionar Jogo de Espelhos, uma autobiografia fragmentária e livro de aforismos, publicado em 1993.

Como ensaísta e tradutor, publicou dezassete volumes, entre os quais Discurso Directo e Imagens da Poesia Europeia. Os seus programas radiofónicos e televisivos granjearam-lhe grande popularidade. A série Vozes da Poesia Europeia reúne o essencial do seu trabalho como tradutor, onde cada versão se transforma num poema original. Recebeu onze prémios literários: três de Poesia, dois de Conto e Novela, quatro de Romance, um de Teatro e ainda um outro de Ensaio. A sua obra encontra-se traduzida nas principais línguas europeias.

 

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Nascido em Penafiel, em 1934 e irmão do pintor Eurico Gonçalves, Rui Mário Gonçalves interessou-se desde cedo pela arte, apesar de ter começado por estudar Ciências Físico-Químicas na Universidade de Lisboa. Enquanto estudante, realizou exposições didáticas com reproduções, promoveu conferências e colóquios com especialistas e organizou exposições com obras originais, nomeadamente a Primeira Retrospetiva da Pintura Não Figurativa Portuguesa (1958). Em 1963, obteve o Prémio Gulbenkian da Crítica de Arte. No mesmo ano, foi para Paris como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, tendo estudado com Pierre Francastel, Cassou e outros. Em 1967, iniciou a sua carreira como professor no curso de formação artística na Sociedade Nacional de Belas-Artes e ensinou ainda nos anos 70 nas escolas de teatro e de cinema do Conservatório Nacional de Lisboa, num contexto de renovação pedagógica. Era professor catedrático jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, no Departamento de Literaturas Românicas, onde entrou em 1974. Participou nos corpos directivos da Sociedade Nacional de Belas-Artes e fundou a secção portuguesa da Associação Internacional de Críticos de Arte, fundamental no reconhecimento da actividade da crítica de arte em Portugal. Manteve intensa actividade como articulista e conferencista sobre arte do século XX. Os seus artigos foram publicados no Jornal de Letras e Artes, A Capital, Expresso, República, Diário de Notícias e Jornal de Letras, Artes e Ideias. Teve dois programas de artes plásticas na RDP Antena 2: As Cores e as Formas (1980-1990) e A Dádiva das Formas (1995-2000).

 

 

“A arte é geralmente a primeira reveladora das transformações que a humanidade deseja. Não é a política. A boa política é aquela que serve os verdadeiros anseios da Humanidade, e esses verdadeiros anseios são expressos na melhor arte”, disse Rui Mário Gonçalves numa entrevista à Antena 2 em 1997.

 

Autor

A obra crítica de Rui Mário Gonçalves procura situar os artistas e os movimentos num contexto histórico, social e político mais vasto, analisando as complexas relações entre a arte e o seu tempo, mostrando como as criações artísticas refletem ou desafiam as circunstâncias em que são produzidas. O seu foco nos artistas modernos e contemporâneos portugueses, como Mário Cesariny, Cruzeiro Seixas ou Helena Almeida, ajudou a estabelecer o lugar destes no cânone da arte portuguesa. A sua escrita tinha como objectivo não só informar, mas também educar o leitor, explicando conceitos complexos e desmistificando a arte contemporânea, para que um público mais vasto pudesse apreciar e compreender as novas formas de expressão artística. A sua obra A arte portuguesa do século XX é um bom exemplo deste esforço pedagógico.

Biblioteca Breve

A colecção Biblioteca Breve, editada pelo Instituto de Cultura e Língua Portuguesa (ICALP), instituição mais tarde integrada no Instituto Camões, tinha como principal objetivo a publicação de ensaios e estudos de alta qualidade sobre uma vasta gama de temas relacionados com a cultura portuguesa. Breves, mas rigorosos, foram escritos por especialistas em diferentes áreas. Os títulos incluem obras sobre a sátira na literatura medieval portuguesa, arquitetura pombalina, mas também o neorrealismo, a história do cinema português e outros temas contemporâneos. Os volumes foram escritos por nomes importantes da cultura e da academia portuguesa, como José-Augusto França, Eugénio Lisboa, Luiz Francisco Rebello e Rui Mário Gonçalves.

Leituras e Influências

No início dos anos 60, Rui Mário Gonçalves foi para Paris como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, tendo estudado com Pierre Francastel (1900-1970). Desde então, os autores e a cultura francesa, nas suas diversas dimensões, exercem uma particular influência na sua obra e pensamento.

Cultura Visual

Tendo vivido uma parte da vida num tempo em que as condições políticas, económicas e sociais não favoreciam o acesso à mais recente bibliografia, nem a cultura visual era tão facilmente acessível, os livros de arte e os catálogos de exposições da doação Rui Mário Gonçalves assumem um particular interesse.

Política

O número 1585 da revista Seara Nova, publicado em Novembro de 1977, foi dedicado ao 60.º Aniversário da Revolução de Outubro. Numa secção intitulada “Artes e Letras”, figuras como Mário Dionísio, Álvaro Salema, Luís Francisco Rebelo, Bernardo Santareno, Artur Ramos e Rui Mário Gonçalves analisam um «acontecimento histórico que viria a exercer as mais significativas repercussões na posterior evolução das sociedades humanas». O texto de Rui Mário Gonçalves intitula-se Apontamentos para uma crítica comparativa, onde escreve: «o artista moderno toma geralmente atitudes políticas progressistas, e quando militante, inscreve-se em partidos de esquerda». Alguns dos títulos da sua biblioteca sugerem igualmente a sua aliança com a esquerda partidária.

Crítica

No final da década de 60, Rui Mário Gonçalves dirigiu a Galeria de Arte da Livraria Buchholz, onde organizou inúmeras exposições e conferências. Este núcleo, com as folhas de sala dessas e de outras exposições, correspondência e materiais preparatórios para os programas radiofónicos da Antena 2, ilustram a presença, a curiosidade e a admiração pelos artistas no âmago da sua actividade como crítico, professor, programador e divulgador.

 

 

fil vmvVasco de Magalhães-Vilhena (1916-1993) foi aluno das Faculdades de Letras de Lisboa e de Coimbra onde se viria a licenciar em Histórico-Filosóficas em 1939. Defendeu, em 12 de Março de 1949, na Sorbonne, a tese de Doutoramento de Estado (Doctorat-ès-Lettres) intitulada Le Problème de Socrate. Le Socrate historique et le Socrate de Platon, e uma tese complementar, intitulada Socrate et la légende platonicienne, tornando-se Docteur-ès-Lettres com a classificação máxima. As duas teses revelam uma enorme erudição, bem como um domínio rigoroso de uma bibliografia monumental, que se vê em grande parte reflectida nos cerca de 8000 títulos que compõem o seu espólio. Heterogénea temporal e linguisticamente, a sua colecção, doada pelo Partido Comunista Português, inclui um número considerável de obras publicadas nos séculos XVIII e XIX e, embora predomine o português, o francês, o alemão, o inglês, o espanhol e o italiano, contempla ainda uma quantidade não desprezável de obras em russo e em búlgaro e algumas em romeno, não faltando o grego antigo e o latim. Integra também um copioso conjunto de obras de história e de filosofia dos séculos XV, XVI, XVII, XVIII e XIX, bem como abundante material sobre o movimento comunista internacional.

Disse Magalhães-Vilhena em entrevista: «Sempre considerei a cultura universal. Se olhar para a minha biblioteca ou simplesmente para a bibliografia das teses e restantes estudos verá a múltipla proveniência dos livros consultados, o número de línguas utilizadas»

«Sempre considerei a cultura universal. Se olhar para a minha biblioteca ou simplesmente para a bibliografia das teses e restantes estudos verá a múltipla proveniência dos livros consultados, o número de línguas utilizadas»