Eduardo Chitas (1937-2011) licenciou-se em filosofia na Universidade de Genebra em 1963, e doutorou-se em filosofia contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde mais tarde veio a leccionar. O seu espólio multilingue, com predomínio do português, do francês, do alemão, do espanhol, do italiano e do inglês, é constituído por mais de 2500 títulos. Tendo coordenado juntamente com Manfred Buhr a edição portuguesa de O Património Espiritual da Europa, do seu espólio bem pode dizer-se que forma uma amostra relevante do “património espiritual da europa”, em especial no que à época moderna se refere. Contém, de Platão à contemporaneidade, muitos dos grandes clássicos da história da filosofia. Merecem referência as obras do idealismo clássico alemão (nomeadamente, as de Hegel) e os estudos em torno desse movimento filosófico. Têm presença também obras do pensamento social e político francês dos séculos XVIII e XIX. Expressão do compromisso político de uma vida, o seu espólio integra ainda múltiplos títulos sobre o movimento comunista e a sua história. Relacionado com as circunstâncias da sua vida, é de referir o núcleo de obras sobre a história da Suiça e, em particular, de Genebra.
Francisco Lopes Vieira de Almeida (1888-1962), licenciado e doutor pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi filósofo, poeta e ensaísta. Notabilizou-se pela fusão original do pensamento filosófico com a criação artística, a Psicologia e a História. Iniciou a carreira docente no ensino secundário, ingressando depois como professor de História (1915) e, posteriormente, de Filosofia (1921) na mesma Faculdade, onde ascendeu a catedrático em 1930, mantendo-se em actividade até 1958. Teve actividade política de oposição ao Estado Novo, colaborando com a Revista dos Homens Livres e mantendo contactos com o grupo da Seara Nova, tendo-se evidenciando como mandatário da candidatura de Humberto Delgado às presidenciais de 1958. A sua obra filosófica, com trabalhos em Lógica, Estética e Epistemologia, foi editada pela Fundação Calouste Gulbenkian (1986-1988). O seu espólio abrange diversas áreas da filosofia, assim como literatura e poesia, entre outras, e integra vários exemplares em que vigoram dedicatórias de amigos, associados e alunos.
Filósofo e poeta açoriano, Gustavo de Fraga (1922-2003) frequentou o curso de Histórico-Filosóficas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, obtendo o grau de licenciado em 1954 com a dissertação O objeto da metafísica (Francisco Suárez). A sua passagem pela Alemanha desperta o seu gosto pela ontologia e pela fenomenologia de Husserl, que mais tarde irá aprofundar na Sorbonne, produzindo os seus primeiros escritos sobre fenomenologia. Dedicou-se posteriormente a problemas de ética fenomenológica e da filosofia de Karl Jaspers (1883-1969). Em Julho de 1967, concluiu as suas provas de doutoramento em Filosofia, defendendo a dissertação intitulada De Husserl a Heidegger: Elementos para uma problemática da fenomenologia. Após leccionar na Universidade de Coimbra e integrar a comissão instaladora do Instituto Universitário dos Açores (antecedente da Universidade dos Açores), ascende a professor catedrático em 1980.
Jean Hani (1917-2012), filósofo francês, foi professor catedrático de civilização grega na Universidade de Amiens, onde fundou o Centre de Recherches sur l'Antiquité Classique e colaborou assiduamente com a revista Connaissance des Religions. Especializou-se no estudo do simbolismo religioso, com ênfase na hermenêutica tradicional e no Cristianismo. A sua obra, dividida em filologia clássica (são exemplo as traduções de Plutarco), história das religiões e simbolismo sagrado, reflecte uma profunda erudição. É particularmente reconhecido por obras como Le Symbolisme du temple chrétien. Manteve-se uma figura discreta, dedicada ao estudo até ao final da sua vida.
Manuel António dos Santos Lourenço (1936-2009) foi professor catedrático de Lógica e Filosofia da Matemática na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Figura cimeira da academia e da cultura portuguesas, com presença relevante em universidades estrangeiras como Oxford, Santa Barbara, Indiana ou Innsbruck, M. S. Lourenço destacou-se não apenas pela sua obra ensaístico- filosófica e pelas suas traduções, mas também como escritor e poeta. O espólio doado à FLUL conta 1108 volumes, tendo como línguas mais representadas o inglês, o alemão, o português e o francês. Conteúdos dominantes são a literatura (sobretudo de autores dos sécs. XIX e XX) e a filosofia, em especial as áreas da lógica e da filosofia matemática; existe ainda um interessante núcleo no domínio de outras artes, sendo a música e as artes plásticas as mais presentes. A biblioteca contém ainda alguns exemplares de livro antigo, sendo o de publicação mais remota uma tradução da Arte Poética de Horácio, impressa em 1758.