Em preparação para a inauguração do Novo Edifício da FLUL, a Faculdade de Letras conversou com o Reitor da Universidade de Lisboa, Professor Doutor Luís Ferreira.
A partir de agora, todos os detalhes acerca do Novo Edifício podem ser consultados nesta página, encimada pela presente entrevista, e que acolhe notícias, testemunhos, particularidades sobre a construção e muito mais.
"Todos estes passos que estamos a criar, não só na Faculdade de Letras, mas em toda a Universidade, é precisamente para criar esse ambiente onde haja uma interação grande entre os estudantes, entre os professores, mas não entre os estudantes entre si – estudantes entre si e com os professores e os trabalhadores, técnicos e administrativos, e todos em conjunto. "
P.: Magnífico Reitor da Universidade de Lisboa, Professor Doutor Luís Ferreira, antes de mais, e em nome da Faculdade de Letras, agradeço a sua presença e disponibilidade para esta entrevista, que em muito beneficia a divulgação da inauguração do Novo Edifício de Letras.
Uma vez que o novo edifício se ergue em diálogo com o espaço da ULisboa, começo por lhe perguntar de que modo é que esta construção se enquadra na política global de obras e modernização da Universidade.
R.: A obra do novo edifício da Faculdade de Letras foi desenhada, em todo o seu trabalho, para que ficasse muito bem enquadrada, do ponto de vista paisagístico, na Cidade Universitária. Portanto, não podia ser nenhum edifício que estivesse ali a gritar e a ser diferente daquele que é o conjunto desta área toda. Foi sempre trabalhado assim. Foi trabalhado assim com a Câmara Municipal de Lisboa, que fez o licenciamento, e, portanto, essa foi a primeira preocupação, no sentido de um enquadramento que garantisse também aquilo que é a forma devida neste campus.
P.: Pedir-lhe-ia que se debruçasse acerca das prioridades institucionais no domínio das infraestruturas. Como se integram os edifícios de ensino, as residências universitárias, os laboratórios e bibliotecas na estratégia de modernização e valorização da ULisboa?
R.: Todas as intervenções que nós estamos a fazer, estamos a fazê-las de forma a criar um ambiente que seja inclusivo, onde todos gostemos de vir trabalhar todos os dias. Onde, perante a oportunidade de ficar em casa, em teletrabalho, e vir para o serviço, nós optemos por vir para o serviço, porque vamos fazer, eventualmente, o mesmo serviço ou até menos. Menos, do ponto de vista quantitativo; mas estamos num sítio que nos agrada, em que gostamos de estar, onde sabemos que passaremos uma boa parte da nossa vida, e, provavelmente, se calhar, para muitos de nós, toda a vida profissional, e onde nos sintamos muito bem.
E, portanto, este espaço tem de ser um espaço onde se respira, onde haja liberdade, um espaço onde possamos trabalhar e conversar, onde possamos trocar ideias acerca daquilo que queremos fazer para o futuro, e onde, permanentemente, num espírito de desassossego, estejamos sempre a tentar melhorar.
P.: Este é um voto que abarca também a comunidade estudantil?
R.: Exatamente. Quando digo isto, estou a referir-me a toda a comunidade académica. Eu quero que os estudantes se sintam muito bem aqui, que queiram vir à Escola, que queiram vir aos diversos espaços que a Universidade oferece – aos espaços de estudo, aos espaços de lazer, aos espaços desportivos, aos espaços museológicos –, e que tudo isso seja alguma coisa que apreciem, que nunca o façam por dever, mas porque gostam de estar aqui connosco. Sabendo, claro, que a vida de um estudante é difícil, que a vida de um professor e investigador igual, e os trabalhadores, técnicos e administrativos também não têm mãos a medir. Mas isso tudo envolto num sentido de propósito que nos faz ser Universidade.
“Tem de ser um espaço onde (...), permanentemente, num espírito de desassossego, estejamos sempre a tentar melhorar.”
P.: Para além da requalificação do património da ULisboa, esta obra representa também um investimento estruturante na evolução científica da Universidade e da Faculdade de Letras. De que modo é que este novo edifício reforça a área das Humanidades e promove o desenvolvimento académico e cultural da Universidade de Lisboa?
R.: Este edifício vem substituir um edifício que, supostamente – bem, não supostamente –, que era para ser provisório, mas esteve ali quase quarenta anos, não é? Mostra bem que é uma coisa que já era necessária há muito tempo.
Isto vem criar novos espaços para os docentes e investigadores, com muitos gabinetes (coisa que não tinham, eram muitas vezes obrigados a trabalhar em casa, porque não tinham gabinetes aqui). Vai criar muitos espaços para que os estudantes interajam com os professores, sob a forma de salas de aulas, salas de inovação pedagógica, etc. Vai criar espaços comuns, onde as pessoas se podem encontrar, conversar, falar sobre a ciência e sobre aquilo que estão a fazer. Tudo isto, jogando muito bem com o edifício antigo e sendo complementar disso, irá criar este ambiente que é propício ao desenvolvimento da investigação, do ensino, da inovação.
Tudo isto também é conjugado com esta transformação que nós estamos a fazer em conjunto, em toda a Universidade, que é trabalharmos mais entre escolas, portanto, num esforço – no sentido em que nem sempre é fácil, mas que estamos a fazer com muito gosto – de interdisciplinaridade, de transdisciplinaridade, e isso é muito importante. Hoje já temos cerca de seis dezenas de cursos conferentes de grau, entre as nossas diversas escolas, e temos já para cima de uma centena de cursos de pós-graduação, onde mais do que uma escola intervêm. Todos estes passos que estamos a criar, não só na Faculdade de Letras, mas em toda a Universidade, é precisamente para criar esse ambiente onde haja uma interação grande entre os estudantes, entre os professores, mas não entre os estudantes entre si – estudantes entre si e com os professores e os trabalhadores, técnicos e administrativos, e todos em conjunto. Nós temos de interagir, porque esta Universidade só se faz com todos. Não se faz com um dos corpos, ou porque um é mais importante. Não. São todos importantes.
P.: Pedir-lhe-ia que partilhasse connosco a sua visão a longo prazo para a Universidade de Lisboa.
R.: Esta Universidade é uma Universidade que, antes de mais, tem de ser relevante para a sociedade portuguesa e para o mundo. E, para ser isso, tem de ser relevante para as pessoas que cá estão. Para os alunos que recebemos todos os anos, eles têm de perceber que isto vai transformar as suas vidas e, transformando as suas vidas, transforma a vida das suas famílias, transforma a vida das pessoas que estiverem à volta deles e a deste país. E é isso que nós queremos – queremos uma Universidade que seja relevante para as pessoas, para o país, para o mundo.
P.: A obra representa um custo aproximado de dez milhões de euros. Como qualifica a importância estratégica do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a requalificação e renovação das infraestruturas académicas?
R.: Temos de dividir isso em várias coisas, porque o PRR não colaborou da mesma forma para diferentes tipos de equipamentos. No caso das residências, houve uma participação muito maior do PRR e, portanto, a participação da Universidade foi bastante mais reduzida, apesar de ser muito importante ainda.
No caso da Faculdade de Letras, aquilo que o PRR representou foi muito menos. Não vem propriamente enquadrado naquilo que é uma contrapartida, que foi a realização de uma série de cursos de pós-graduação, e, daí, a sua reduzida dimensão. Significa que foi a Faculdade de Letras, basicamente, que conseguiu encontrar, de diversas formas, os meios financeiros para conseguir a realização desta obra.
P.: Para terminar, gostaria de acrescentar algo acerca do Novo Edifício?
R.: A construção é moderna, a sua conceção é uma que permite precisamente esta ideia de partilha, de colaboração e, portanto, vamos ter um edifício que nos ajuda a fazer também isso. E vai transformar a vida, claramente, da Faculdade de Letras e da Cidade Universitária. Vai ficar muito bem enquadrado do ponto de vista paisagístico e vamos gostar cada vez mais de estar aqui nesta Universidade.
Esta entrevista faz parte de um conjunto de conversas com os principais envolvidos na conceção e desenvolvimento do Novo Edifício da Faculdade de Letras da ULisboa, publicadas no website da FLUL e nas suas redes sociais.
A entrevista em vídeo está também disponível na página de Youtube da FLUL.

A obra do Novo Edifício da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa foi financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (recuperarportugal.gov.pt), no âmbito do projeto Impulso Adulto e Jovem STEAM.