À Comunidade FLUL,
Recebemos na Direcção da FLUL nos últimos dias vários protestos de Directores de Cursos presentes, ou escalados para estar presentes, na Futurália, relativos à participação e à forma como ela estava a decorrer, de um partido político em particular, "Partido Chega", nesse evento. Tratando-se de um partido político legalizado e com assento parlamentar essa participação poderia ser vista como normal, mesmo que haja lugar para discutir de forma genérica a pertinência dos partidos políticos poderem enquanto tal estar directamente representados num evento que visa apresentar os jovens a um potencial futuro universitário.
Não há nenhuma maneira, no entanto, de ver o "Partido Chega" como um partido normal. Tem pelo contrário demonstrado quotidianamente ser a face portuguesa de uma nova ordem internacional que pretende reinventar o mundo sobre pressupostos pseudo-históricos procurando recriar uma sociedade que nunca existiu, enquanto a defende de ameaças fantasma entre as quais abunda a imigração (não toda, mas alguma dela). Não perderei tempo aqui com a refutação, neste caso feita por um historiador, de tais teses. O senso comum mais básico, num país com uma História recente de emigração e um secular passado migrante, bastaria para mostrar a sua falsidade.
Mas é precisamente a consciência de que o mundo fica pior com elas, ficando posta em causa a existência mesma dos valores centrais da FLUL, a liberdade de consciência, de pensamento e expressão crítica que me faz interromper a distância necessária de um Director da nossa instituição, também Presidente do Conselho Científico, face à diversidade de pensamentos e ideologias que é expectável habitarem qualquer Escola e esta em particular. Quero por isso que saibam que o vosso director condena veementemente essa nova ordem e todas a suas manifestações, assim o tendo demonstrado por acções visíveis e invisíveis aquando de uma manifestação recente levada a cabo em frente do edifício Pardal Monteiro por um grupúsculo com ideias análogas.
Entretanto tomaremos as providências necessárias para comunicar isso mesmo à organização da Futurália, através dos orgãos competentes. Termino apenas com uma nota: creio estar no confronto e não na recusa da participação, o tom certo para abordar o problema. Fico à disposição da Comunidade, dos Presidentes dos Orgãos e dos Directores de Área e de Curso em particular, para discutir as medidas mais convenientes, neste e noutros casos.
Saudações Académicas,
Hermenegildo Fernandes
Director da FLUL
Recebemos na Direcção da FLUL nos últimos dias vários protestos de Directores de Cursos presentes, ou escalados para estar presentes, na Futurália, relativos à participação e à forma como ela estava a decorrer, de um partido político em particular, "Partido Chega", nesse evento. Tratando-se de um partido político legalizado e com assento parlamentar essa participação poderia ser vista como normal, mesmo que haja lugar para discutir de forma genérica a pertinência dos partidos políticos poderem enquanto tal estar directamente representados num evento que visa apresentar os jovens a um potencial futuro universitário.