Em conversa com Patrícia Jordão, uma das seis vencedoras do Concurso de Projectos Exploratórios em Todos os Domínios Científicos 2023, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) veio aprender um pouco sobre o seu projecto “MOBlades - Proveniência da matéria-prima das lâminas como indicador da mobilidade humana ao longo do Calcolítico do SW da Península Ibérica”.
O que se pretende investigar neste projecto?
Neste projecto pretende-se detectar as formas de mobilidade das comunidades humanas na pré-história recente, no período calcolítico, ou a Idade do Cobre, e ao mesmo tempo tentar perceber quais as diferenças culturais entre essas comunidades do sudoeste da Península Ibérica. Para tal, iremos tentar analisar de onde vem a matéria-prima utilizada na produção das grandes lâminas, utensílios que tinham diversas funções, como cortar, raspar – digamos que era uma espécie de canivete suíço da pré-história recente – e que no calcolítico tem o expoente máximo, em termos tecnológicos, da sua produção, sendo necessária matéria-prima muito concreta, em particular um sílex de qualidade, para a sua produção.
Quais são os objectivos do projecto?
Uma das dificuldades com que a equipa de investigação se deparou foi a ausência de informação geológica, quer na bibliografia, quer na cartografia, sobre os tipos de rochas exploradas e os respectivos locais de ocorrência. Para colmatar essa lacuna, reunimos uma equipa geo-arqueológica constituída por arqueólogos e geólogos para realizar a prospecção e recolha de amostras de tipos de sílex, sendo esse o nosso primeiro objectivo: detectar quais os tipos de sílex explorados pelas comunidades no período calcolítico.
Como segundo objectivo e articulando com os tipos de sílex, os tipos de matérias-primas, pretende-se detectar quais as diferentes tecnologias de conformação das lâminas a partir de dois sítios arqueológicos do actual território português: Vila Nova de São Pedro, um sítio clássico da arqueologia portuguesa, na zona da Extremadura, e o Recinto dos Perdigões, no Alentejo, um dos mais importantes povoados da Península Ibérica.
A matéria-prima amostrada, portanto, as amostras que recolhermos da matéria-prima geológica, vai ser comparada com a matéria-prima das lâminas arqueológicas e depois iremos fazer experimentação de lâminas, ou seja, vamos produzir, através de técnicas de arqueologia experimental, lâminas com a mesma matéria-prima que foi utilizada e através das mesmas tecnologias.
Como é que este projecto vai contribuir para a investigação em Portugal?
Este projecto, independentemente dos resultados que venha a ter, vai ser extraordinariamente importante para trabalhos futuros em termos de proveniência de matérias-primas siliciosas, em particular do sílex, porque, no futuro, vai permitir aos investigadores obter uma colecção de comparação com todo o material descrito, em termos petrográficos, mineralógicos, geoquímicos, perfeitamente identificado, e que podem utilizar para comparar com as suas colecções arqueológicas. Isto será muito importante porque permite, assim, obliterar uma fase que demora sempre bastante tempo, que é a fase de ir para o campo e procurar as amostras, a fase de prospecção, de recolha e estudo das amostras.
Onde será armazenada essa a base de dados que resulta da investigação deste projecto?
Esta base de dados vai ficar fisicamente na ARQUEOLit, que é a jovem litoteca que está em construção aqui na UNIARQ, na FLUL, juntamente com a matéria-prima e todos os restos produzidos em Arqueologia Experimental, ou seja, todos os restos dos processos de produção das lâminas – os restos das lâminas, os restos de talhe, os núcleos – vão ficar numa tecnoteca, uma colecção de comparação, para também se poder comparar as colecções arqueológicas deste período com as disponibilizadas na ARQUEOLit .
Onde podemos encontrar mais informação sobre o projecto?
Todas as fases deste projecto vão sendo disponibilizadas nas redes sociais, incluindo a fase de prospeção, das saídas de campo, da recolha de dados, o processo de estudo, de inventário, de caracterização, quer das matérias-primas, quer dos conjuntos arqueológicos, etc.. Pretendemos também, com alguma frequência, criar eventos de divulgação, em particular na fase de Arqueologia Experimental, em que serão criados eventos públicos, para que as pessoas possam ver como é que se reproduzem estes instrumentos experimentalmente, nomeadamente as lâminas e como é que eram feitas há 5.000 anos.
O projecto “MOBlades - Proveniência da matéria-prima das lâminas como indicador da mobilidade humana ao longo do Calcolítico do SW da Península Ibérica” terá a duração de 18 meses e todas as informações podem ser encontradas nas páginas de Facebook e Instagram da iniciativa. A entrevista em vídeo pode ser vista no canal de YouTube da FLUL.
Esta entrevista faz parte de um conjunto de seis conversas com os investigadores responsáveis dos projectos vencedores do Concurso de Projectos Projectos Exploratórios em Todos os Domínios Científicos 2023, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), que serão publicados todas as semanas no website da FLUL e nas suas redes sociais.
Em conversa com Patrícia Jordão, uma das seis vencedoras do Concurso de Projectos Exploratórios em Todos os Domínios Científicos 2023, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) veio aprender um pouco sobre o seu projecto “MOBlades - Proveniência da matéria-prima das lâminas como indicador da mobilidade humana ao longo do Calcolítico do SW da Península Ibérica”.