Jean Hani

 

 

fil JHJean Hani (1917-2012), filósofo francês, foi professor catedrático de civilização grega na Universidade de Amiens, onde fundou o Centre de Recherches sur l'Antiquité Classique e colaborou assiduamente com a revista Connaissance des Religions. Especializou-se no estudo do simbolismo religioso, com ênfase na hermenêutica tradicional e no Cristianismo. A sua obra, dividida em filologia clássica (são exemplo as traduções de Plutarco), história das religiões e simbolismo sagrado, reflecte uma profunda erudição. É particularmente reconhecido por obras como Le Symbolisme du temple chrétien. Manteve-se uma figura discreta, dedicada ao estudo até ao final da sua vida.

José de Azevedo

 

 

Integrando cerca de 2000 títulos, o espólio “José de Azevedo”, reflectindo um espírito enciclopédico e vastos interesses, quer temática quer geograficamente heterogéneos, tem um cunho marcadamente generalista. Do teatro, da poesia e do romance à teoria política, à sociologia e à história, passando pelas demais ciências sociais e pela dicionarística, o espólio contém, em cada uma das áreas, obras de referência e bibliografia complementar pertinente. A filosofia, nomeadamente a de Hegel, ocupa um lugar assinalável no acervo. 
Não obstante o cunho generalista da colecção, o núcleo central do seu acervo é coeso e coerente. O eixo central do espólio é o pensamento político e a história do século XX, em especial a história do comunismo. Destaca-se, neste particular, a numerosa lista de títulos sobre a história da União Soviética e da Internacional Comunista, e sobre as especificidades, entre outros, do comunismo chinês, italiano, francês, espanhol, português, polaco ou americano. Nesta linha, o espólio contempla uma abundante literatura sobre o estalinismo e as oposições na história soviética, sobre a natureza das relações sociais de produção nas experiências de construção do socialismo durante o século XX e sobre os aspectos económicos e políticos dos processos de transição do capitalismo para o socialismo. A maior parte desta literatura (trate-se de originais ou de traduções) é em língua italiana e em língua francesa e expressa orientações interpretativas muito diversas.
Os investigadores do pensamento gramsciano e da sua difusão na América Latina encontrarão, no espólio de José de Azevedo, um ponto de apoio importante.

M.S. Lourenço

 

 

MSLManuel António dos Santos Lourenço (1936-2009) foi professor catedrático de Lógica e Filosofia da Matemática na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Figura cimeira da academia e da cultura portuguesas, com presença relevante em universidades estrangeiras como Oxford, Santa Barbara, Indiana ou Innsbruck, M. S. Lourenço destacou-se não apenas pela sua obra ensaístico- filosófica e pelas suas traduções, mas também como escritor e poeta. O espólio doado à FLUL conta 1108 volumes, tendo como línguas mais representadas o inglês, o alemão, o português e o francês. Conteúdos dominantes são a literatura (sobretudo de autores dos sécs. XIX e XX) e a filosofia, em especial as áreas da lógica e da filosofia matemática; existe ainda um interessante núcleo no domínio de outras artes, sendo a música e as artes plásticas as mais presentes. A biblioteca contém ainda alguns exemplares de livro antigo, sendo o de publicação mais remota uma tradução da Arte Poética de Horácio, impressa em 1758.
Entre os quase 400 volumes encadernados uniformemente, a maioria tem capas pretas com inscrição a dourado do nome do autor e do título na lombada, porque, segundo M. S. Lourenço, preto e amarelo são as cores da lógica, sendo também as cores da casa imperial dos Habsburgos, quando passou a ostentar o título do sacro império Romano, e ainda das duas faixas horizontais da bandeira do império austro-húngaro durante cerca de um século (1806-1918). Outro elemento importante para caracterização material dos livros encadernados é o ex-libris criado por Richard De Luchi: a imagem de um cisne negro, alusiva à ave aquática frequentadora de um dos lagos do parque da Pena, em Sintra, onde Lourenço costumava passear.

Mª Beatriz Nizza da Silva

 

 

fil bnsMaria Beatriz Nizza da Silva (1938-) licenciou-se em Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1961), e doutorou-se em Filosofia na Universidade de São Paulo (USP). Com um percurso maioritariamente na área da história, foi professora titular do Departamento de História da USP até 1990, quando se aposentou e retornou a Portugal, de onde se havia exilado em 1963. Nizza da Silva está entre os historiadores que, nos anos 1970, concederam atenção especial à teoria e metodologia da história e à história das mulheres. Desenvolveu estudos acerca da história da cultura e da ciência, da família, das mulheres, da elite colonial e imperial. Foi sócia correspondente da Academia Portuguesa da História e membro da Comissão Internacional de História da Historiografia e da Federação Internacional de Pesquisa em História da Mulher, além de outras associações científicas no Brasil.
O espólio de Beatriz Nizza da Silva é constituído por 295 títulos publicados entre 1904 e 2000. A maior parte pertence à área da filosofia e da filosofia política, com predomínio dos editados entre as décadas de 1960 -1990, em língua francesa e inglesa. O espólio inclui o primeiro regulamento interno (1904) e os primeiros estatutos do Clube Fenianos Portuenses (1905).

Matos Romão

 

 

fil mrJoão António de Matos Romão (1882-1960) foi Director da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa entre 1947 e 1952. Com formação em Filosofia Natural e em Medicina pela Universidade de Coimbra, Matos Romão ingressou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, como docente do grupo de Filosofia, em 1912. Aqui leccionou múltiplas disciplinas de Filosofia e de Psicologia, ao longo de uma carreira de 40 anos de docência (1912-1952), e criou o Laboratório de Psicologia Experimental, que dirigiu até ao ano da sua jubilação (1952). Matos Romão acompanhou o progresso científico da primeira metade do séc. XX, numa grande multiplicidade de ciências, desde as ciências exactas às ciências humanas, e a diversidade dos livros de ciência é uma das características mais impressionantes do seu espólio.
A sua biblioteca é expressão da sua vasta cultura científica e da orientação positivista do seu pensamento. Para além de exemplares de Livro Antigo, o espólio, abrangendo um vasto leque de ciências e reunindo mais de 5000 títulos, predominantemente em língua francesa e inglesa, publicados desde finais do séc. XIX até aos anos 50 do séc. XX, organiza-se em torno de três núcleos centrais: Filosofia, Psicologia e Educação.
Embora mais pequenos, cabe ainda considerar os dois núcleos sobre Religião, nomeadamente a História da Religião, e Literatura.

Vasco de Magalhães-Vilhena

 

 

fil vmvVasco de Magalhães-Vilhena (1916-1993) foi aluno das Faculdades de Letras de Lisboa e de Coimbra onde se viria a licenciar em Histórico-Filosóficas em 1939. Defendeu, em 12 de Março de 1949, na Sorbonne, a tese de Doutoramento de Estado (Doctorat-ès-Lettres) intitulada Le Problème de Socrate. Le Socrate historique et le Socrate de Platon, e uma tese complementar, intitulada Socrate et la légende platonicienne, tornando-se Docteur-ès-Lettres com a classificação máxima. As duas teses revelam uma enorme erudição, bem como um domínio rigoroso de uma bibliografia monumental, que se vê em grande parte reflectida nos cerca de 8000 títulos que compõem o seu espólio. Heterogénea temporal e linguisticamente, a sua colecção, doada pelo Partido Comunista Português, inclui um número considerável de obras publicadas nos séculos XVIII e XIX e, embora predomine o português, o francês, o alemão, o inglês, o espanhol e o italiano, contempla ainda uma quantidade não desprezável de obras em russo e em búlgaro e algumas em romeno, não faltando o grego antigo e o latim. Integra também um copioso conjunto de obras de história e de filosofia dos séculos XV, XVI, XVII, XVIII e XIX, bem como abundante material sobre o movimento comunista internacional.

Disse Magalhães-Vilhena em entrevista: «Sempre considerei a cultura universal. Se olhar para a minha biblioteca ou simplesmente para a bibliografia das teses e restantes estudos verá a múltipla proveniência dos livros consultados, o número de línguas utilizadas»

«Sempre considerei a cultura universal. Se olhar para a minha biblioteca ou simplesmente para a bibliografia das teses e restantes estudos verá a múltipla proveniência dos livros consultados, o número de línguas utilizadas»