Em preparação para a inauguração do Novo Edifício da FLUL, a Faculdade de Letras conversou com Laura Prezzi e Diana Levy, estudantes na FLUL e representantes da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras (AEFLUL).
Todos os detalhes acerca do Novo Edifício podem ser consultados nesta página, que acolhe notícias, testemunhos, particularidades sobre a construção e muito mais.
"E apareceu não apenas pela vontade da direção, mas também, creio, porque ouviram as várias gerações de estudantes que lutaram para que este espaço surgisse."
(Diana Levy)
Para começar, começaríamos por vos perguntar que recordações terão, embora, possivelmente, indiretas, do antigo edifício conhecido como Pavilhão Novo?
Laura Prezzi: Sei de muito boas recordações de veteranos e colegas meus, que fizeram parte da Associação de Estudantes. No espaço da AE temos uma fotografia pendurada, do átrio interior do PN. Parecia ser mesmo um espaço de convívio. E, pelas histórias que nos vão contando, ficamos com vontade de ter pertencido a esse tempo. Mas temos, agora, o espaço novo para criarmos as nossas próprias memórias.
Diana Levy: As memórias que tenho não são minhas – de tempos passados com amigos, colegas e professores –, mas conheço as experiências de veteranos e de amigos de veteranos, que me contam histórias de momentos de festa, momentos de maior pressão (durante as frequências) ... E esta distância entre gerações dá lugar, talvez, a um contraste com as memórias que estão por vir. E cria, também nostalgia; acho que esse é o sentimento comum a todos nós. Enquanto aluna de segundo ano, e pensando também nos meus colegas de primeiro ano, que começam o seu percurso neste Edifício, creio que o que havemos de guardar com mais carinho é esta oportunidade de, depois de ouvirmos as histórias dos veteranos, tentarmos viver o que eles viveram, mas aqui.
Contemplando a monumentalidade do edifício, e pensando em termos arquitetónicos e simbólicos, que valor vêm acrescentado à Faculdade de Letras com a nova construção?
Laura Prezzi: O Novo Edifício dá uma nova imagem à Faculdade. Permite-nos expressar o que realmente somos, enquanto comunidade, e dá-nos mais espaço para mostrar a nossa investigação, as nossas pesquisas. Temos, aqui, a oportunidade de crescer ainda mais.
Diana Levy: Este edifício vem valorizar, por um lado, o trabalho dos professores, pelo novo espaço que recebem, e a luta dos alunos. Uma luta que é constante e que procura espaços com boas condições; nem que seja por uma mesa melhor, que é talvez melhor só por ter um centímetro a mais. Este Edifício vem mostrar que conseguimos ter condições para futuras gerações e isso é bastante importante, porque nós queremos que a Faculdade tenha uma boa imagem. É um monumento histórico, que viu passar muitas gerações, e que é agora renovado para os estudantes presentes e os próximos.
O Novo Edifício tem capacidade para quase 1000 alunos em simultâneo, e acolhe docentes em gabinetes que ocupam os pisos superiores. Terá esta maior proximidade geográfica reflexo na proximidade entre estudantes e professores?
Laura Prezzi: Acredito que sim. Não só vai facilitar tirarmos dúvidas e pedir ajuda, mas creio que nos dará a oportunidade de, mais facilmente, compartilhar ideias, de crescermos juntos. A relação entre aluno e professor pode deixar de estar limitada apenas à sala de aula.
Fico também feliz pelos professores, que têm um espaço que há muito tempo querem ter; aliás, alguns professores já manifestaram que “finalmente” têm um gabinete.
Diana Levy: Creio que sim, que vai aumentar a proximidade e a confiança, porque nos permitirá termos um maior contacto com os professores. Imagino que se torne mais fácil, até, marcar uma reunião, se um professor estiver presente num espaço próprio para si; para não falar de que os docentes merecem um espaço de trabalho que garanta as condições necessárias para o desenvolvimento de um ensino digno, que é o que merecemos.
“Poderei sempre, com emoção, lembrar-me que faço parte da geração que estreou este espaço."
(Laura Prezzi)
Que benefícios esperam que o Novo Edifício reserve para a vida da comunidade estudantil de Letras?
Laura Prezzi: Tenho a expectativa de uma dirigente associativa e de alguém que pertence a um núcleo estudantil – o Jornal “O Cola”. Naturalmente, damos muito valor aos espaços que podemos usufruir para realizarmos as nossas atividades. Mas também espero que possamos conviver mais e melhor, não sermos estudantes apenas por estarmos dentro de uma sala de aula.
Sei que o Novo Edifício ainda não está a ser muito utilizado para atividades estudantis, o que é natural; mas, ao longo do tempo, espero que possamos trazer atividades do Edifício Principal para este, para que possamos aumentar a nossa capacidade de expressão. Trazermos a identidade que já consolidámos no Edifício Principal para o Novo Edifício.
Diana Levy: Os benefícios que traz correspondem àquilo pelo qual sempre lutámos: mais espaço. O Novo Edifício dá-nos mais espaço de estudo, a possibilidade de trazermos atividades do Edifício Principal para aqui e a oportunidade de criarmos novas memórias. É ótimo termos um espaço que dá lugar a mais pessoas dentro da Faculdade, termos um campus maior e sabermos que a Faculdade nos ouviu, quando pedimos melhores espaços. Imagino que este Edifício traga cada vez mais melhorias para a nossa Faculdade.
Nas imagens, Diana Levy.
Fazem parte de uma geração de estudantes a estrear uma nova obra – algo que, certamente, tão cedo não se repetirá. Que memória guardam dos vossos primeiros momentos no Novo Edifício?
Laura Prezzi: Para vos ser sincera, fico emocionada por saber que faço parte desta jornada, desta nova fase para a Faculdade.
Quando entrei aqui pela primeira vez e me lembrei das histórias dos meus colegas no PN, percebi que tinha, como eles, a oportunidade de começar uma história que vai continuar por muitos anos – que vai passar, talvez, para filhos meus e de amigos meus – e poderei sempre, com emoção, lembrar-me que faço parte da geração que estreou este espaço.
Diana Levy: A minha primeira memória é de entrar nas salas novas e pensar “ok, este é outro mundo”. Falávamos muito sobre a necessidade deste espaço e ele apareceu. E apareceu não apenas pela vontade da direção, mas também, creio, porque ouviram as várias gerações de estudantes que lutaram para que este espaço surgisse. É uma recordação bastante boa a guardar.
Esta entrevista faz parte de um conjunto de conversas com os principais envolvidos na conceção e desenvolvimento do Novo Edifício da Faculdade de Letras da ULisboa, publicadas no website da FLUL e nas suas redes sociais.
A entrevista em vídeo está também disponível na página de Youtube da FLUL.

A obra do Novo Edifício da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa foi financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (recuperarportugal.gov.pt), no âmbito do projeto Impulso Adulto e Jovem STEAM.